Desde o carnaval, Rodolfo vem me assediando, querendo saber minha
opinião sobre se sai ou não a prisão de Lula. Venho adiando o ardoroso debate,
primeiro, porque o assunto me entedia, segundo, porque estou em fase obsessiva
de leitura. Como, na quaresma, por livre manifestação de vontade, me abstenho
de coisas que me dão prazer, substituo-as por livros, emendando-os um após
outro. É coisa meio louca: durante o sono, personagens e lugares invadem meus
sonhos. Mas, voltemos ao Rodolfo. Ontem, à noite, chego em casa e, subindo a
escada ao meu lado, ele foi definitivo: quer vários minutos comigo e lá fui eu,
sabendo o que me esperava: falou sobre Lula. Devo muito de afeto ao Rodolfo e,
mais, é ele que me ouve e ampara, em minhas fugidias depressões. Sentado, no
último degrau da escada, ele, a meu lado, começa o papo:- “você, com seu meio século de advocacia e um pouco mais de vida, (ele é sempre generoso)
acha que o Lula vai ser preso, tão logo o Tribunal julgue e indefira os tais
embargos de declaração? E por que, a esta altura do campeonato, Lula contratou
os serviços profissionais do ex-Ministro, Sepúlveda Pertence? Pergunto isto,
porque revista semanal já mostrou até o lugar físico do presídio, onde Lula
ficará “hospedado””. Devo advertir que Rodolfo, com sua formação prussiana,
acha absurdo um país em crise parar 07 dias para se divertir. Mas volto à questão
levantada: “sabe Rodolfo, sua pergunta
merece especial reflexão: na tradição de nosso direito, a prisão do condenado
só ocorria após o chamado trânsito em
julgado, isto é quando não coubesse qualquer tipo de recurso contra a sentença
condenatória. Esta regra foi mantida pela Constituição de 1988 e somente
poderia ser alterada via Poder Legislativo, através de emenda constitucional. Entretanto,
este Supremo que aí está, mais uma vez violando a Constituição, da qual deveria
ser o guardião, em 2016 passou a entender ser possível a prisão do réu, quando
de sua condenação pelo Tribunal Regional. Assim, em tese, a prisão do Lula pode
ser decretada, rejeitados os embargos de declaração. Para evitar essa prisão,
os advogados de Lula impetraram habeas corpus junto ao Supremo, que foi distribuído
ao Ministro Fachin, que tem histórico de militância petista. Ao contrário do
que muitos afirmam, não acredito que a contratação de Sepúlveda Pertence foi
para que esse, egresso da Corte, fizesse “lobby” para que o habeas corpus seja
concedido, assegurando a liberdade de Lula. Conheço, de longa data, o
ex-Ministro e, apesar de ter ele formação de esquerda, não se prestaria a
figurar, neste indigesto episódio, como mero lobista. É jurista de longo e
firme curso e tem muito a contribuir. Como advogado, repito, espero que o
habeas corpus seja concedido, não por ser o Lula, mas porque assim vem disposto
em todas as nossas Constituições, pelo menos desde a de 1946. Contudo, não
afirmo nada, porque este Supremo que está aí possui a pior composição de sua
história e sofre influências externas, que denigrem sua imagem. A mídia vai, ou
melhor, já vem jogando pesado, pela prisão de Lula, daí a matéria jornalística,
a que você se referiu e que saiu na edição, 15 dias atrás, da paupérrima “Isto É”.
Eu, pessoalmente, preferia ver Lula batido nas urnas, para enterrá-lo, de vez.
Preso, ele será convertido em “vítima da burguesia” e outros chavões assemelhados.” Rodolfo
levanta as orelhas e pergunta: “e se ele
for eleito presidente?” – “Sabe,
Rodolfo, ao contrário do que muitos dizem, a democracia é o pior regime, porque
parte da falsa premissa de que todos somos iguais. Você se considera igual ao Clóvis,
aquele vira-latas chato, que late, sem causa, no quintal dos fundos?” – “você está louco, ele é um imbecil, que cubro
de pancada, quando ele se aventura pela frente da casa.” Finalizo a
conversa: “pois é, mas, pela democracia
ele tem os mesmos direitos que você. Assim, se eleito for, ele , Lula tem
assegurado o direito de governar”. Rodolfo se levanta e sai resmungando: “vocês, humanos, são complicados: fazem leis complicadas
que só complicam a vida de vocês. Vai entender, o cara diz que detesta o Lula,
mas defende a liberdade dele! Ainda bem que nasci cachorro.”
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Para salvar a Venezuela
Quando Hitler ascendeu ao poder, instalando sangrenta
ditadura, pelo menos a Europa já tinha conhecimento de suas intenções. É certo que ele recuperou a economia alemã,
combalida com a perda da primeira grande guerra, mas as perseguições aos
judeus, aos deficientes físicos, aos homossexuais, a ampla e total censura à
imprensa, tudo isto não deixava dúvidas que tenebrosos dias se aproximavam.
Finalmente, quando, em 1936, ele ocupou e reintegrou a Alsacia Lorena ao
território alemão, descumprindo todo o Tratado de Versailles, a Europa,
especialmente França e Inglaterra não podiam ter dúvidas de que Hitler
iniciava, pela força, expansão territorial de imprevisível fim. Apesar de sua
recuperação econômica, em 1936 a Alemanha não dispunha – ainda – de recursos
bélicos para enfrentar os vencedores da primeira guerra, signatários do Tratado
de Versailles. Aquele era o momento de Hitler ser contido, extinguindo-se as
forças paralelas e restaurando-se a democracia, na Alemanha. Todavia, muitos
discursos foram feitos na “Câmara dos Comuns” e no “Parlamento Francês”, sem nenhuma ação
concreta que contivesse o avanço alemão. E o resultado – todos sabemos – foi um
conflito que durou 06 anos, destruiu, física e economicamente a Europa,
ceifando a vida de cerca de 80 milhões de pessoas, a maioria jovens, entre 18 e
30 anos.
Faço tais reminiscências históricas, quando observo a
inércia, principalmente das Américas, diante dos descalabros cometidos por Nicolas
Maduro, na Venezuela. Os números são alarmantes: em 2017, a inflação chegou a
2.000%, há escassez de gêneros alimentícios, o mesmo acontecendo com
medicamentos essenciais, a moeda nacional – o Bolívar – teve desvalorização de
quase 100%, em relação ao dólar e o índice de desemprego é da ordem de 70%,
provocando a fuga de mão-de-obra, qualificada e não qualificada para os países
vizinhos. Como amplamente divulgado, só em Boavista, Roraima, há cerca de 50
mil refugiados venezuelanos, vivendo em condições as mais precárias possíveis e
trazendo graves consequências para aquele Estado, merecendo observar que há
cerca de 100.000 pedidos venezuelanos de visto, para ingressar no Brasil.
Apesar desta estupenda crise, Maduro antecipou a eleição para abril próximo
e com a oposição impedida de participar
do pleito, sua vitória está assegurada. Os embargos econômicos, além de
infrutíferos, acabam penalizando a já asfixiada população, daí porque, como
única solução, surge a imperiosa e urgente necessidade de intervenção militar, pelas forças armadas dos
países, integrantes da “OEA – Organização
dos Estados Americanos”, sob a liderança dos Estados Unidos, para expulsar
Maduro e seus asseclas do Poder, recompor a economia e a unidade nacional e,
depois, restaurar a democracia, convocando eleições livres. Ação semelhante foi
perpetrada no Haiti, com inteiro sucesso. Seria uma espécie de “guerra justa”, conceituada por Santo
Tomas de Aquino, como aquela que visa preservar o bem comum. Maduro já ameaça
avançar sobre as Guianas, tal qual Hitler, em busca do “espaço vital”. Os países americanos precisam sair da retórica e
partirem para ação, sob pena de, mais tarde, terem que pagar alto preço para
conterem Maduro. “Res, non verba”, atos não palavras, já ensinavam os guerreiros
da Roma antiga.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
O Carnaval Possível
Não poderia ter tido melhor carnaval, entre netos, filmes e,
principalmente livros, aqueles que tinha separado. Terminei o último, “Sonata de Auschwitz”, ontem à noite. Modéstia à parte, considero-me versado em “2ª guerra mundial” e devo ter cerca de 200 livros sobre o tema,
onde se inserem os horrores passados por judeus e adversários do nazismo, nos
campos de concentração. “Sonata” contém narrativa de quem “viveu” aqueles horrores e, sobrevivente, quer esquecer aqueles
tenebrosos dias. Todavia “Sonata” é
muito mais: história de amores – vários – e superações, que nos faz refletir
sobre “a miserável condição humana”. “O maravilhoso Bistrô Francês” é
comovente história da busca do amor tardio, encontrado em pequena estação turística,
situada em praia do norte da França. Leitura fácil e cheia de emoção e “Enclausurado” conta a percepção da
realidade de um feto que do útero materno “assiste”
à derrocada dos pais. O livro vale pelo inusitado. Dos filmes, “Dunkirk” é a velha repetição do “super heroísmo” dos aliados – no caso,
ingleses – durante a 2ª guerra e “Post”
narra o enfrentamento do jornal ao Governo Nixon. Ambos os filmes são fracos e
quem não os viu, nada perdeu. Sensacional são as “Olimpíadas de Inverno”, exibidas no canal 38: A juventude, em seu
melhor esplendor, desafiando o perigo ou deslizando, em coreografia mágica,
pelas pistas de gelo.
A nota amarga deste carnaval fica por conta da violência, no
Rio, que, agora, invade Ipanema e Leblon. Apaixonado, que sou, por aquela
cidade, onde vivi os melhores dias de minha vida, fico prostrado, como diante
de filho, gravemente doente, ainda sem diagnóstico, que possa debelar a causa.
Tudo começou com Brizola que, para se eleger governador, fechou acordo com a
liderança das favelas, assegurando que a
Polícia lá não subiria. Como já disse aqui, o “tráfico” elege deputado e governadores e esta relação espúria gerou
situação, agora fora de controle. Invoco Jobim “minha alma chora/vejo o Rio de Janeiro...”
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Porque é tempo de carnaval
Outro dia, li crônica, acho que do Cacá Diegues, onde ele
afirma ser contraditório um país, com tantos problemas – econômicos, morais e
de segurança – parar 04 dias, para o povo se esparramar no carnaval. Não concordo
com o ilustre cineasta. O carnaval é,
exatamente, a forma encontrada para que a “panela
de pressão”, contendo aquelas adversidades, não exploda. É uma fuga
transitória para o nirvana, que faz bem ao corpo e ao espírito.
Sempre gostei de carnaval. Garoto, frequentava os bailes
infantis, promovidos pelo clube de minha cidade. Jovem, passava-o no Rio. O
primeiro baile acontecia no sábado, anterior ao início do carnaval. Era “o baile do Havaí”, ao pé do “pão de açúcar” e à beira da Baía de
Guanabara. No sábado posterior, quando, oficialmente começava a festança,
frequentar o “Bola Preta” era ritual,
que durou até eu me casar. Domingo, era dia do “canecão” e a chamada “terça-feira
gorda”, acontecia a fantástica noite do “Monte Líbano”. Segunda-feira era dedicado aos desfiles das “escolas de samba”. Fui apenas uma vez e
saí pela metade: é bonito, mas tudo mais ou menos igual. Depois de casado,
filhos pequenos, eu e minha esposa éramos assíduos na ”Banda do Leme”, que percorria o bairro do mesmo nome. Depois, que
viemos morar em São Paulo, corríamos do carnaval, em direção às praias do
Guarujá ou litoral norte. Atualmente, fico por aqui mesmo, lendo, tomando sol
no quintal, passeando com os cachorros e muita cerveja, que ninguém é de ferro.
Para este ano, separei dois filmes, “Dunkirk”
e “Post”, vamos ver em que vai dar.
Quanto aos livros, estou apostando em 03: “O
maravilhoso Bistrô Francês” (Nina George) "Sonata de Auschwitz” (Luize Valente) e “Enclausurado” (Jan Mc Evan). Depois eu conto.
Aos que vão se integrar aos “folguedos de momo” (como se dizia, antigamente), desejo paz e
energia... e aproveitem, porque “a vida
dura só um dia, Luzia, e não se leva nada deste mundo”.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Acalma meu passo, Senhor!
“Em meio às confusões do dia,
Dá-me a tranquilidade das montanhas.
Retira a tensão dos
meus músculos e nervos
Com a música tranquilizante dos rios de águas constantes
Que vivem em minhas lembranças.
Ajuda-me a conhecer o poder reparador do sono.
Ensina-me a arte de tirar pequenas férias,
Reduzir meu ritmo para contemplar uma flor,
Papear com um amigo, afagar uma criança, ler algo que
Me faça bem, ouvir a minha música preferida.
Acalma meu passo, Senhor,
Para que eu possa perceber
No meio do incessante labor cotidiano dos ruídos,
Lutas, alegrias, cansaços ou desalentos,
A tua presença constante no meu coração.
Acalma meu passo, Senhor,
Renova em mim a esperança,
Ensina-me a calar para que eu possa escutar tua voz.
Acalma meu passo, Senhor,
E inspira-me a enterrar minhas raízes
No solo dos valores duradouros da vida,
Para que eu possa crescer até as estrelas
Do meu destino maior.
Obrigado Senhor,
Pelo dia de hoje, pela família, pelo meu trabalho,
Pelos meus amigos e,
Sobretudo, pela tua presença na minha vida.”
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
O Supremo de cócoras
A mídia, que quer a cabeça do Lula, a qualquer preço, já
pressiona o Supremo Tribunal Federal para não julgar a questão, referente à
prisão em segunda instância. Como é largamente sabida, a Corte, em fevereiro de
2016, mais uma vez, usurpando atribuições exclusivas do Poder legislativo,
modificou a literal redação do inciso LVII do artigo 5º de nossa Carta Magna e
passou a admitir a prisão do réu, cuja condenação fora confirmada pelo
respectivo Tribunal Regional (2ª instância). Tal decisão foi inominável
desrespeito à Constituição Federal, vez que o citado dispositivo constitucional
assevera: “ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Por “trânsito em julgado”, entenda-se a
sentença sobre a qual não mais pende qualquer recurso. É o princípio da “presunção da inocência”, abrigado nas
Constituições espanhola e italiana e remonta à brasileira de 1946, tendo sido
mantido, mesmo durante o regime militar. É claro que tal norma pode ser
alterada, desde que tal alteração decorra de emenda constitucional, oriunda do
Poder Legislativo. Sabemos que a atual composição do Supremo é pífia, no que
tange ao saber jurídico, com honrosas exceções e, na atual conjuntura, “joga pra torcida”, impulsionado pela
mídia. Alguns Ministros já se manifestaram, no sentido de reexaminar aquela esdrúxula
decisão de fevereiro de 2016, recompondo a correta interpretação da norma
constitucional. Este reexame já estava previsto antes do julgamento de Lula,
pelo Tribunal Regional Federal. Com o julgamento, a mídia que quer a cabeça de
Lula, a qualquer preço, vem pressionando o Supremo para não levar a julgamento
a revisão da matéria e, pelas últimas informações, a Presidente Carmen Lúcia,
jogando pela janela a independência da Corte, submeteu-se àquela pressão. Por
mim, cuja aversão ao lulopetismo já contei em verso e prosa, não se trata de
Lula, mas de restaurar a legalidade, antes do julgamento de Lula, pelo Tribunal
Regional Federal de Porto Alegre. Agora, a Presidente Carmen Lúcia já declara
que aquele reexame não é prioritário. É claro que essa “desnecessidade” decorre do fato de que, se o Supremo restaurar o
entendimento tradicional, que espelha a literalidade daquele dispositivo
constitucional, como não há “trânsito em
julgado”, Lula poderá recorrer em liberdade, o que a mídia repudia. O
Supremo, que se apequena a cada decisão, precisa ter coragem para enfrentar a
questão, que envolve o interesse de milhares de brasileiros, em situação
idêntica a de Lula. O Juiz, o verdadeiro Juiz, o Juiz independente deve julgar
com a lei na mão e os olhos vendados, como simbolizado em Themis, a deusa da
justiça. Pobre do país, em que o Poder Judiciário é guiado pelas mãos da mídia.
Repudio Lula e o lulopetismo, todavia com mais intensidade,
repudio uma Corte que, ao invés de defender a Constituição, submete-se a pressões,
para interpretá-la a favor de interesses estranhos à justiça.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Uma leitura obrigatória
Apesar de minha definitiva formação ideológica, não perco a
oportunidade de aprender, com os que me são culturalmente superiores, mesmo de
posições contrárias. Certa feita, dileto amigo, que me visitava, ao percorrer
minha biblioteca, observou, entre surpresa e ironia: “quem não o conhece e o avaliasse pelos seus livros, não teria dúvida,
em afirmar que você quase pertence à esquerda”. Se eu tivesse que indicar
obras importantes da literatura mundial, com certeza, incluiria “Germinal”, de Emile Zola e “Quarup”, de Antonio Callado e que longe
estão de se situarem na margem direita do rio.
Fiz toda essa introdução para comentar – e recomendar – que atravessei
a madrugada, lendo as “Cartas da Prisão”,
de Frei Betto. Frei Betto pertenceu a um grupo de padres dominicanos, liderados
por Carlos Marighella, que realizaram ações subversivas, principalmente, a
partir de 1968. A principal função de Frei Betto, era coordenar a fuga de
companheiros, a partir de Porto Alegre, com destino ao Uruguai e Argentina.
Preso, em 1969, passou por vários presídios, até ser libertado, ao final de
1973. Em suas “Cartas”, escritas a
parentes e amigos, demonstra serenidade e fé, mas, acima de tudo, apresenta sua
visão pessoal dos textos bíblicos e da imperiosa necessidade de a Igreja
Católica aproximar-se das comunidades carentes. Discordo, frontalmente de Frei
Betto, que prega o socialismo, como forma de o Estado e a própria Igreja se
conduzirem, mas concordo, quando afirma “que
muitos cristãos tenham uma visão estática da missa, apenas uma cerimônia
dominical, sem nenhuma repercussão em suas vidas concretas”. Esta era,
também, a visão do Papa Bento XVI, e que, através das “pastorais” deu dinamismo à Igreja Católica..
Como Frei Betto assinala, na “introdução”, “este livro
retrata as duras provocações a que foram submetidas os presos políticos”,
fato que já era do conhecimento de todos que viveram aquela época. Apesar da
angústia da prisão, Frei Betto não
claudicou na fé e manteve a esperança utópica de que, com a ascensão da classe
operária ao Poder, o Brasil viveria “tempo
de socialismo”. Essa esperança fê-lo se aproximar de Lula e do PT, que
abandonou, depois de constatar que ambos tinham um projeto pessoal de governo e
onde o pobre entrava apenas como massa de manobra.
O livro merece ser lido, não só como documento histórico, mas
também, para os católicos, como reflexão de relevantes temas de nossa religião.
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