Não sou versado em interpretação de sonhos, se é que possam
eles ser interpretados, como querem os psicólogos. Tenho um amigo, que se
distanciou, (até porque sou péssimo em manter amizade) que, certa feita,
contou-me sintomático caso, a comprovar que os sonhos nada significam: durante
noites seguidas sonhou com seis números, gravados em uma parede. Na manhã,
posterior à última noite, em que tivera o mesmo sonho, mal estacionou seu
carro, ao lado do fórum, foi abordado por um vendedor de bilhetes de loteria e
afins, que lhe ofereceu uma mega sena, contendo exatamente os 06 números
sonhados. O sorteio –vários milhões
acumulados – ocorreria na mesma noite e, cabeça a mil, passou o dia projetando
como gastaria a grana, tal a certeza de que ganharia. Para sua decepção, não
acertou um único número. Tenho alguns sonhos recorrentes, aos quais não atribuo
qualquer valor, mas, na última madrugada, tive verdadeira revelação: já expus,
aqui, meu desassossego quanto ao final de meu livro, entre matar ou manter viva
a “mocinha”. Tinha decidido matá-la,
a ela e aos pais, por coerência à história. Salvá-la seria dar prevalência ao
romantismo, o que é utópico, mas sempre lava a alma. Escrevi os dois finais,
para me decidir com o texto pronto. Eis que, na última madrugada, “vivi” um terceiro final, praticamente
simbiose dos dois pensados. Achei ótimo e, no final de semana, ponho a mão na massa.
sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Rodolfo, eu e a “nossa República”
Eu já tinha avisado a Rodolfo, meu politizado pastor alemão,
que, enquanto não concluísse meu livro, estaria de quarentena, em relação a outros
assuntos. Todavia, ele é obcecado por acontecimentos político – policiais, e, à
noite, mal abro o portão, chegante do escritório e lá vem ele, a falar dos
presos do dia. Digo-lhe eu tais informações, tão banais se tornaram, que passam
distante de meu interesse. E, para mostrar a concentração no livro, cujo final
me desafia, disse-lhe que até mesmo o Botafogo, amor de vida inteira, deixei de lado. Até nossos
passeios ao parque andam silenciosos e foram encurtados, para felicidade de
Nara, a repetir que ambos, eu e ela, já passamos da idade de subir e descer
morro, em marcha acelerada.
- “Melhor andar
devagar, apreciando a paisagem e marcar ponto, em um dos bancos, defronte ao
lago, acompanhando o vai e vem dos gansos”, aconselhou-me ela, sábia velha
senhora. Mas Rodolfo é intrépido e voluntarioso. Outro dia, saía para o trabalho
e ele veio exibir-me, pendurado à boca, um saruê, partido ao meio, que ousara
ultrapassar o portão, para surrupiar-lhe ração. Rodolfo é determinado e não
desiste fácil. Não é que sábado, voltávamos do parque e, ao chegar em casa, ele
me fechou, impedindo que eu subisse a escada:
- “chefe (odeio, quando
ele, só para me amolecer, chama-me, assim) sei que sua cabeça está na obra inacabada
(senti certa ironia nessa fala), mas precisamos conversar sobre coisa séria?”
- “E você acha que um livro não é coisa séria?”
- “Aqui pra nós, chefe,
não é um pouco de pretensão você achar que está escrevendo a obra do século?”
- “Livro, meu caro
Rodolfo, é como filho, sempre é lindo e importante. Mas afinal, sobre o que
você quer falar que, ao que tudo indica, mudará a história do mundo?”
- “Do mundo, não sei,
mas do Brasil, com certeza. Você viu a última pesquisa, a indicar que a
presidência está entre Luciano Huck, Lula e Bolsonaro? Quero saber em quem
vamos votar e o que podemos esperar do eleito.”
- “Nós, quem Rodolfo?
Vou lhe mostrar uma coisa, que é um projeto para 2018”. (Entro em casa e volto, minutos, depois.) “Esta é uma área de terra, 2.000 m², para ser
mais preciso, que comprei em Arraial D’Ajuda, lá no sul da Bahia. É minha visão
mais próxima do paraíso. Vou construir uma casa pequena e o restante da área
ficará para você, Nara, Olavo, Romeu, Clóvis e mais uns dois ou três, que
chegarão. Lá será nossa “República”, que terá uma única lei: “todos são
obrigados a viverem em harmonia e, se possível, com amor. “Lá, não será
permitida a entrada de estranhos e conto com vocês, para que se cumpra este objetivo. Lá, viveremos até
o final de nossos tempos, contemplando o mar, sem compromissos e sem ordens. E,
quando morrermos, as cinzas de cada qual serão espalhadas em um canto, próximo
ao mar.”
- “E dona Renata irá
conosco?”
- “Se ela quiser, é
claro, mas duvido que ela fique longe
dos filhos e netos, mas, todos eles, e apenas eles, serão sempre bem-vindos,
com direito a trazerem violeta, Indira e Gandi. Esta é a razão, meu caro, de
não estar interessado no próximo presidente. Seja quem for, só espero que ele
não comprometa “nossa República””.
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
A dúvida não pode levar à condenação
Meu queridíssimo amigo, Oswaldo Jurema, jornalista de longo
curso, envia-me artigo – transcrevo, abaixo -, formulando severas observações a
respeito das declarações do novo Diretor Geral da Polícia Federal, que
considerou poucos os indícios coletados
pela Procuradoria Geral da República, para incriminar o Presidente Michel
Temer. Oswaldo, que escreve no “Correio
da Paraíba”, seguiu a linha da mídia em geral, mas, na investigação
policial e no direito penal, a banda toca em ritmo diferente. O ex Procurador
Janot, cujo candidato preferido para sucedê-lo, foi preterido por Temer,
transformou seu gabinete, em verdadeiro quartel general, com o objetivo – que
virou obsessão – de derrubar Temer: armou, com o pulha da “JBS”, a famigerada gravação e, como recompensa, concedeu àquele
pulha e seus comparsas liberdade plena, inclusive de se transferir para Nova
York. A afirmação do novo Diretor Geral da Polícia Federal, de que uma única
mala de dinheiro não constitui prova suficiente do envolvimento do Presidente,
não pode ser extraída do contexto da fala do Dr. Segovia. O que quis ele dizer
– e disse – é que o episódio deveria ter sido investigado, em todas as suas
nuances, e não ser transformado em pinimba pessoal, como o fez Janot. Quando se
investiga um Presidente da República, ultrapassa-se sua pessoa, adentra-se à
instituição e se coloca em risco, inclusive, os interesses nacionais. Porisso
tal investigação deve ser exaustiva e sigilosa, só vindo a público, quando
contundentes forem as evidências. A meu juízo, o novo Diretor Geral da Polícia
Federal, em harmonia com a nova Procuradora Geral da República, quer ações
menos histriônicas, sem a “Globo” por
perto, ações estas que conduzam a resultados concretos e, sempre, sob a égide
do ordenamento jurídico do País. Assistimos à
decretação, sem medida, de prisões preventivas que têm, como único
escopo, compelir o detido a optar pela delação premiada. A mídia exulta, porque
tem mais matéria a divulgar. A população exulta, porque fica com a
sensação de que o País está “sendo passado a limpo.” Todavia, os que
militam na advocacia – mesmo não tendo clientes na “lava jato” – vivem tempos de insegurança jurídica -, porque o
açodamento na colheita da prova é o caminho mais rápido para o arbítrio. Quem,
por exemplo, vai reparar a memória e os
familiares do Reitor da Universidade de Santa Catarina que se matou, ao
ser acusado de corrupção, acusação essa, agora, tida como infundada, quando as
provas restaram estruturadas? A Polícia
Federal, que “concluiu”, antes de
provar? A mídia, que se lambusou com a notícia do falso desvio?
O que me parece sadio e louvável, no discurso de posse do Dr.
Fernando Segovia é que quer ele uma Polícia Federal, implacável, no combate à
corrupção, ao tráfico de armas e de entorpecentes, mas agindo dentro dos
limites da lei. Afinal de contas o arbítrio, cometido em desfavor de nosso
adversário, amanhã, pode ser cometido contra nós.
““Síndrome da dúvida”
Oswaldo Jurema
Durante entrevista coletiva logo após ser empossado diretor-geral
da Polícia Federal, Fernando Segovia surpreendeu a todos ao criticar a ação da
Procuradoria- Geral da República no caso JBS. Considerou a investigação
incorretamente célere para incriminar um Chefe de Governo, sob suspeita de
corrupção passiva e comprometimento em outros delitos, em decorrência da delação
de um duvidoso empresário. E arrematou imperativo:
“Se fosse
sob a égide da Polícia Federal, essa investigação teria de durar mais tempo, porque
uma única mala (sic) talvez não desse toda a materialidade criminosa para
resolver se havia ou não crime, quem seriam partícipes e se haveria ou não
corrupção.” E o conteúdo da mala? E o filme do resgate? E o grampo da delação?
E a devolução do valor faltante?
Todavia, o
novo mandante da Federal revelou-se acometido, também, da síndrome da dúvida,
chaga que atormenta os responsáveis em desvendar os enigmas da vida pública,
mesmo quando a clarividência revela a verdade dos fatos. Onde a maior certeza é
a dúvida.
Aos
exemplos, portanto: O prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel –o homem que
sabia demais- foi assassinado em tocaia por seis bandidos que lhe sequestraram,
torturaram e mataram. E ainda assim se
tem ‘dúvida’ até hoje: se foi assalto(!) ou queima de arquivo; o candidato à
presidência, Eduardo Campos, que após longa investigação concluiu-se que estava
seriamente implicado em esquemas escusos, o que não foi suficiente para dirimir
a dúvida: se foi pane aérea ou pânico de figurões comprometidos; Teori Zavaski,
o relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal foi outra vítima de um
desastre aéreo; dias antes anunciara o término de vários processos. E pouco
tempo depois o delegado que investigou o acidente, foi morto num tiroteio
massacrante. Nada a ver, talvez, mas, paira a dúvida.
Diante de
obscuras controvérsias o ex-procurador-geral, Rodrigo Janot- também no rol dos
dúbios- proferiu sentença fulminante: “A pergunta que não quer calar é: Segovia
se inteirou disso ou ele está falando por ordem de alguém?” Ou ‘talvez fosse
necessário’ ter um cadáver sob a dinheirama da mala para então se configurar
crime. Duvido que haja dúvida!”
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
A nova moeda chamada “Bitcoin”
Se você navega na internet com certa frequência ou é interessado por
temas ligados ao universo digital, já deve ter ouvido falar em Bitcoin, uma
espécie de moeda digital. Esse novo dinheiro virtual é gerenciado pelos
próprios usuários, sem a necessidade de haver intermediação de um banco.
Liberdade no pagamento, taxas baixas e segurança em relação a
informações pessoais dos usuários são as vantagens da utilização da moeda, já
em contrapartida, o grau de aceitação e a volatilidade em relação ao número de
transações, que poderia ser bem maior do que é e acaba influenciando nos
preços, são algumas desvantagens.
É possível adquirir a moeda de várias maneiras, seja por meio
de pagamento por bens e serviços oferecidos, compras no Bitcoin câmbio,
trocando com alguém ou ganhando por meio de mineração competitiva – atividade na
qual novos “bitcoins” são gerados
através de um processo competitivo e descentralizado que consiste na recompensa
dada aos usuários pelos seus serviços. Os “mineiros”
de Bitcoin estão processando transações e fazendo a rede segura usando hardware
especializado e coletando novos “bitcoins”
em troca.
Um número crescente de empresas como escritórios de
advocacia, restaurantes, apartamentos e outros serviços do segmento on-line
está adotando o novo modelo de pagamento por “bitcoins”, que tem movimentado anualmente mais de um milhão de
dólares por dia. A atividade é legal em muitos países, mas em algumas
jurisdições como Argentina e Rússia, por exemplo, esse tipo de moeda foi
banido, porque, pelo menos por enquanto, parece não ter surgido mecanismo
suficientemente preciso, que impeça o uso dessa moeda virtual para sonegação
fiscal e lavagem de dinheiro.
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
A escolha do caminho
Este blog tem tido suas matérias interrompidas – e outras
interrupções haverá -, por conta de obstáculo a ser vencido e que anda
asfixiando os poucos neurônios, que ainda me restam ativos. Estou chegando ao
ponto crucial do livro, que escrevo, há quase um ano e que, apesar de ficção,
tem relevante conteúdo histórico, que exigiu pesquisa. O livro tem, como título
provisório, “Amor em tempo de ódio”
e conta a história de dois pré-adolescentes
apaixonados que, em determinado momento de suas vidas, seguem rumos diferentes,
ela, alemã, mas filha de judeus alemães, ele, alemão puro, que ingressa na
juventude nazista e faz carreira no exército alemão. Em 1.944, ela e os pais
são enviados a um campo de concentração, onde ele, por ironia do destino, é o
comandante. Hitler já tinha desencadeado a “solução
final”, que consistia no extermínio, em massa, de todos os judeus
aprisionados. E, agora, ei-lo dividido entre o amor revisitado e o cumprimento
do dever de soldado. Estou há mais de uma semana, procurando a melhor
alternativa: o amor ou o ódio? Nos livros anteriores, não vacilei em matar os
personagens principais, pois, se não o fizesse, o enredo se quebraria. Todavia,
agora, os dois caminhos surgem possíveis, harmônicos com toda a trama. É claro
que a morte é mais condizente com os fatos históricos. Além do mais, salvar a heroína
e seus pais exigirá estratégia que ainda não construí. Soma-se tudo isto ao
estresse de final de ano. Mato, ponho
ponto final e encerro o livro. Por outro lado, por que não um pouco de poesia,
sobrepondo o amor ao ódio? Afinal, o ano se aproxima de seu poente, trazendo,
com o Menino Jesus, a esperança de um novo tempo, onde ressentimento ceda lugar
à harmonia, à esperança de vivermos juntos, sem que, para sermos felizes, não
precisemos provocar a infelicidade de nosso semelhante. Por outro lado, naqueles
tempos, incompreensíveis tempos, quando a barbárie tomou assento, a única
esperança estava em amanhecer, no dia seguinte. Persisto, na dúvida do caminho
a escolher. Enquanto rascunho caminhos opostos, o ”blog” vai ficando de lado.
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Para falar de chatos, ressentidos e hipócritas
Há décadas atrás – creio ter sido no governo Collor - ,
Rubens Ricúpero, uma das maiores inteligências que passou pela diplomacia
brasileira, então ocupando importante Ministério, foi apunhalado pelas costas,
por ter dito, em off, que “o que é bom a
gente mostra, o ruim, a gente esconde.” A frase apanhada fora do contexto
da conversa reservada que Ricúpero mantinha com o jornalista (da Globo), foi interpretada como ato de
esperteza e a própria emissora tratou de
demonizar Ricúpero. A frase fazia todo sentido, para o momento de instabilidade
econômica, vivida pelo País: o “bom”
acalmava o mercado; o “ruim”,
aumentava a instabilidade. Agora, o fato se repete, na mesma emissora,
envolvendo seu mais ilustre jornalista, William Waack que, às escondidas, como
convém aos canalhas, foi apanhado, sussurrando frase de conteúdo racista. Em
pouco tempo, a emissora colocou no ar, através de jornalista, que se prestou a
esse papel de capacho, matéria, execrando William Waack e se dizendo repudiar
qualquer forma de discriminação. Logo o “Globo”
que, até bem pouco tempo, onde negro só fazia papel de empregada doméstica.
Waack representa (ou representava) o que havia de melhor na “Globonews”, onde, em seu “Painel”, debatia, com intelectuais de
diferentes ideologias, os macro problemas do País. Fica, em seu lugar, o
ridículo jornal, com seus enfadonhos repórteres, reproduzindo a “voz do dono”. Um jornalista, com a
história e o estofo moral e intelectual de William Waack não pode ser jogado às
feras, por causa de infeliz frase, sussurrada, no particular. Todavia, essa
desfaçatez da “Globo” não causa
surpresa. Cresceu e se agigantou graças às benesses, concedidas pelo regime
militar, mas, esgotado aquele período, passou a ele se referir como “sombrios anos da ditadura”. Entretanto, como dizia minha falecida mãe, “nada como um dia após o outro.” Não é
que, em delação premiada, perante a Corte de Nova York, a “Globo” é
acusada de pagar propina à FIFA, para ganhar concorrência dos direitos
de transmissão de torneios internacionais? A emissora, tal qual o fazem todos
os envolvidos na “lava jato”, jurou
inocência, negou “veementemente” seu
envolvimento na falcatrua e acrescentou que “após rigorosa investigação interna, não se apurou a prática de qualquer
ilicitude.” Perguntei ao Rodolfo o que ele achava da “rigorosa investigação interna.” Ele me olhou com desprezo e,
lembrando o eterno Millôr Fernandes, fez, apenas, “há! há! há!.”
Em magnífico artigo, publicado na edição da semana passada de
“Veja”, sob o título “Um País de Chatos”, o sempre preciso e
brilhante J. R. Guzzo fulmina: ”vai se
inventado, de cima para baixo, uma sociedade mal-humorada, neurastêmica e
hostil à liberdade de expressão.” Um País de chatos, diz ele; de ressentidos,
diria o filósofo Luiz Felipe Pondé, de hipócritas, digo eu, aqui, do andar de
baixo.
terça-feira, 14 de novembro de 2017
O feijão e o sonho
A edição do mês de outubro, da “Revista do Advogado” foi, inteiramente, dedicada à reforma
política, com acurada análise de ilustres juristas, dentre esses, dois ex
Ministros do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau e Nelson Jobim, esse com longa
passagem pelo Legislativo, a saber, pois, como funciona, na prática, o processo
legislativo. Os temas desenvolvidos, com extrema cultura, na “Revista”, todavia, passam, ao largo da
questão essencial: como efetivar a necessária reforma. Todos sabemos ser ela
imprescindível à consolidação de nossa sempre tênue democracia. Quando se desce
da teoria à prática, esbarra-se nos liliputianos interesses dos políticos e dos
respectivos partidos. O Poder Executivo, para minimamente funcionar, aprovar
projetos de lei, vê-se obrigado a, no rés do chão, barganhar com os famigerados
“representantes do povo”. É até
risível imaginar que esses senhores e senhoras irão abrir mão de seus
privilégios, para pensarem no interesse do País. São partidos políticos, a
defenderem, com unhas e dentes, seus pedaços do bolo, cujos ingredientes são
cargos e dinheiro. Basta dar rápida passeada pela história, para se constatar
que as grandes reformas surgiram, durante os períodos ditatoriais. A legislação
trabalhista, os Códigos, Penal, Processo Penal e Processo Civil surgiram na
fase mais dura – entre 1937 e 1945 – da ditadura Vargas. A criação do BNH, do BNDES, o surgimento do FGTS, em
substituição à estabilidade, após 10 anos de trabalho contínuo, aconteceram
durante o regime militar, instalado em 1964. Vivemos dias de fragmentação das
instituições e, de todas, apenas as Forças Armadas merecem o respeito da
população que saiu às ruas para derrubar Dilma e o lulopetismo, mas a elas não
retornará, porque ninguém quer ser identificado com qualquer grupo político. É
deslavada mentira afirmar que os políticos precisam “ouvir a voz das ruas”. Essas, pelo desencanto, ficaram mudas e as
reformas, que tramitam, se saírem, sairão trôpegas, como a reforma trabalhista,
que já nasceu moribunda, porque os próprios juízes já disseram que não vão
cumpri-la. O Ministro Meirelles afirma que, se a reforma previdenciária não for
aprovada, a Previdência quebra, no máximo, em 05 anos. O Presidente Temer jogou
a toalha: se tal reforma não for aprovada, tudo bem, ele, pelo menos, tentou.
O Brasil segue, à deriva, cada dia se afastando mais do mundo
civilizado. Quem colocará no rumo certo, consertando as instituições rachadas e
promovendo as reformas, que sabemos urgentes e necessárias? A história nos fornece
a resposta.
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