quarta-feira, 8 de junho de 2016

História de um quase amor


Ela se chamava Joana, assim, simplesmente Joana, nome antigo, a remeter-lhe à empregada de sua infância. Conhecera-a por causa da chuva, que caíra sem aviso prévio, retendo-o no restaurante defronte ao prédio, onde tinha escritório. Ambos, ele e a futura Joana, à porta, esperavam a chuva pelo menos diminuir de intensidade. Devia ter ela entorno de 40, alta e, pelo modo sóbrio de vestir, seria executiva de alguma empresa, já que o calor de mais de 30 graus desnudava as mulheres. Ela lhe dirigiu um sorriso de cumplicidade, afinal eram prisioneiros da mesma causa. Ele respondeu com comentário, estupidamente óbvio:
- ‘’que chuva mais fora de hora, não?’’
Ela sorriu de novo, deu uma resposta monossilábica e continuaram, ambos a olharem o cair da chuva. De repente, o sol surgiu, ardido, entre as nuvens e ele e a futura Joana caminharam na mesma direção.
- ‘’Você também trabalha neste prédio?’’, perguntou ele, o que continuava a ser uma imbecilidade, porque era o único edifício do quarteirão.
- ‘’Trabalho e nós já nos cruzamos várias vezes no elevador. Sei que o senhor é advogado e tem escritório no 15º andar. Eu sou sócia da agência de publicidade que fica no 11º. Meu nome é Joana’’.
Ele e a agora Joana entraram no elevador, ela desceu no 11º e ele, envolvido no cotidiano, esqueceu-se dela. Passara dos 60 anos e, com três casamentos fracassados, concluíra não ter vocação para ligações amorosas. Homem de poucos amigos, dividia a vida com livros e cachorros. Além do mais, pela estatísticas, teria mais dois ou três anos de vida, o que já era muito. Fizera e tivera muito mais que imaginara e se sentia pronto para a viagem definitiva. Noite já caminhando, toma o elevador para a garagem. A porta se abre e Joana assusta-se ao vê-lo. Riem e seguem em eloqüente silencio até o subsolo, onde se despedem com raquítico ‘’boa-noite’’. Ao entrar em seu carro olhou para ela, que, outra vez, riu para ele, com um aceno de mão. Os dias se passaram, com a monotonia de sempre e ele, quase imperceptivelmente, procurava por Joana, no elevador e no estacionamento. Qual o significado daquela busca, ele que nada buscava? Além do mais, ela o tratava por senhor, como a sublinhar a distancia que os separava, no tempo. Achou ridícula sua ansiedade, por isso decidiu não mais pensar em Joana, a simplesmente Joana. Fora uma sexta-feira para esquecer: perdera a ação que tinha certeza que ganharia, a segunda mulher ligou, pedindo mais dinheiro, o caseiro da casa da praia pedira demissão. Era correr para casa, escolher um vinho forte e brincar com os cachorros. Mas o elevador parou no 11º andar e Joana entrou, usando um vestido que projetava o bico dos seios e exibia coxas torneadas. Riram, outra vez e ele se constrangeu por perceber que ela percebera seu olhar, quase indecente. Ela o chamou de você – ‘’Você anda sumido!’’ -, o que encorajou a convidá-la para um aperitivo, sob a velha desculpa de esperar o trânsito melhorar. Foram. Falaram de suas perdas e ganhos, beberam o suficiente para expulsar verdades escondidas. Ele quis beijá-la, deslizar as mãos pelas coxas torneadas e sentiu que ela ansiava por isto. Num rasgo de sobriedade ele anteviu a conseqüência do beijo, não beijado; as magoas que se acumulariam com o inevitável desamor, ele que, na essência, nunca conhecera o amor. Por isso, no quase beijo, desviou o olhar dela, chamou o garçom, pediu a conta e apenas disse: ‘’acho que o trânsito já melhorou, podemos ir.’’

Joana, em eloqüente silencio, mas surpresa, se deixou levar até seu carro, onde se despediram com um inexpressivo ‘’boa noite’’. Já em casa, afagando o dorso de ‘’Apolo’’, seu gigante e dócil ‘’Mastif’’, ele respirava o alívio de quem conseguira sobreviver a um grande perigo. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

A operação lava jato sob o prisma da relação custo/benefício

Leio que, como consequência da “lava jato”, a Construtora Odebrecht acumula déficit de 110 bilhões e demite 50 mil empregados. O mesmo efeito se produz em outras construtoras e empresas, sem falar na própria Petrobras, reduzida em cerca de ¼ de seu anterior valor de mercado. No “conjunto da obra”, estima-se que a “lava jato” acarretou, para as empresas, direta ou indiretamente, envolvidas na “petropropina”, prejuízo da ordem de 500 bilhões de reais e gerou cerca de 300 mil desempregados, tendo recuperado menos de 01 bilhão de reais do dinheiro desviado. Neste lapso de 02 anos da “operação”, a economia do País regrediu e nossas instituições atingiram seu mais baixo índice de credibilidade. Se se optasse pela realização de novas eleições, em todos os níveis, quem seria, à esquerda ou à direita, o líder capaz de motivar a opinião pública? São dados objetivos que nos leva à reflexão, se a “lava jato”, em toda a sua dinâmica, teria valido a pena. Algumas aberrações jurídicas foram produzidas, para regozijo da população, mas que inspira cuidados, porque a justiça, para ser eficiente, deve, indistintamente, ser o primado do Direito. Cito alguns exemplos: ver um poderoso e milionário empresário preso, por desvio de conduta, é excelente exemplo de imparcialidade. Todavia, mantê-lo recluso, sem justa causa, até que ele decida pela delação premiada, é deformação desse instituto e que coloca em dúvida, até mesmo o valor probante dessa delação. Todos somos críticos da conduta do deputado Eduardo Cunha, mas seu afastamento da presidência da Camara, pelo Supremo Tribunal Federal, sem que haja previsão constituição para tal ato punitivo, traz, no mínimo, desconforto para quem pretende ver preservado o Estado de Direito. Sempre integrou nosso ordenamento jurídico o principio da “presunção da inocência”, que apenas desaparece com a sentença definitiva, aquela contra a qual não pende mais recurso. Assim está esculpido na Constituição em vigor. Pois o mesmo Supremo, cognominado “guardião da Constituição”, agindo como legislador, estabeleceu a regra da prisão compulsória, a partir da confirmação da sentença pelos tribunais regionais. Essa desarrumação do ordenamento jurídico pátrio também foi consequência da “lava jato”, que parece envolvida em reluzente e poderoso manto sagrado, que a protege de qualquer critica, a ponto de transformar em “inimigo do povo”, quem dela discorde. Deixo o julgamento para a história, mas, por hora, limito-me a apontar dados concretos, a demonstrarem que o ídolo tem pés de barro.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

A volta dos mortos vivos

Não há mais qualquer razão para se voltar a falar da afastada Presidente Dilma, defunto, que precisa ser enterrado, para que o País vire esta vergonhosa página de sua historia e retome o caminho do desenvolvimento, que gera emprego, que restaura a dignidade. Todavia, como vivemos época de ‘’cambalachos’’ políticos, a morta ameaça ressuscitar e nos aterrorizar a todos. As revistas, do último fim-de-semana, revelam as tratativas, nada republicanas, estabelecidas entre Dª Dilma e Marcelo Odebrecht, do qual ‘’arrancou’’ 20 milhões de reais. Através da delação de Cerveró, tem-se a informação de que ela, como presidente do Conselho da Petrobrás, sempre soube da ‘’tenebrosa transação’’, envolvendo a refinaria de Pasadena e das vantagens indevidas recebidas pelos seus asseclas. E, extremo ridículo, toma-se conhecimento que até mesmo o cabeleireiro da madame era pago pela construtora. Cai, assim, a máscara da mulher tida como ‘’pessoalmente honesta’’, como apregoava muito gente boa, inclusive meu prezadíssimo Delfim Netto. Pois, agora, Dª Dilma anda irritada, porque o novo Governo recusa-se a liberar avião da FAB, para que ela passeie pelo Brasil, soltando o verbo, a falar que está sendo vitima de um ‘’golpe’’, malgrado todo o rito constitucional do impeachment ter sido seguido. O jornal ‘’O Globo’’, edição de ontem, domingo, noticia a revolta da oficialidade jovem da FAB, pelo uso de aviões para transporte de políticos, impossibilitando o uso de aeronaves para fins relevantes, como transporte de órgãos humanos, para serem transplantados. Renan Calheiros utilizava aviões da FAB para fazer transplante de cabelo e Dilma usa-os para que seu cabeleireiro se desloque a Brasília, para pentear suas ‘’madeixas’’. Enquanto isso, pessoas humildes morrem, porque o coração, a lhe ser transplantado, não dispõe de meios de transporte rápido, para chegar a seu destino. Dª Dilma, que não tem nenhuma função, dispõe de 35 pessoas para servi-la, no Palácio da Alvorada, a um custo mensal de 500 mil reais. O que farão esses serviçais, inúteis e desnecessários serviçais? Cessa, assim, de modo melancólico, a farsa da mulher honesta, vitima de um golpe, urdido ao arrepio da lei e surge a imagem real de uma presidente que integrou a quadrilha que dizimou o patrimônio da Petrobrás. 

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Porque Junho chegou



Como já alardeei, detesto o frio, que nos faz camuflar em pesadas roupas e me traz inevitável banzo do verão. Todavia, tenho especial carinho pelo mês de Junho, tantas são as comemorações, gerais e pessoais, nele realizadas. No plano geral, as festas juninas que, se nestas plagas paulistanas resumem-se às quermesses das Igrejas, pelo Brasil afora, especialmente no Nordeste, continuam a serem festejadas com danças, fogueiras e quentões. Nada tenho de saudosismo, mas são as raízes que traçam a personalidade de um povo e de uma nação. Dos Santos reverenciados, minhas preferências recaem sobre São João, que me remete à infância e São Pedro que considero injustiçado pela hagiografia, apesar de ter sido a pedra sobre a qual se erigiu a Igreja. Acabou tendo sua importância empanada pelo seu colega de dia, São Paulo, por quem chego a ter antipatia: intitulou-se a si mesmo apostolo, desprezou Barnabé, que o introduziu entre os apóstolos verdadeiros e quis tomar o lugar de Pedro. Suas ‘’cartas’’ – em grande numero não escritas por ele – estão recheadas de cabotinismo, como se ele tivesse sido, pessoalmente, escolhido por Cristo, para difundir o evangelho. É óbvio que Paulo foi importante. Culto, de origem nobre, teve a visão cosmopolita que faltou a Pedro, humilde e analfabeto pescador. Outro dia, um amigo, recém chegado da ‘’terra santa’’, mostrou-me uma foto da casa de Pedro, quase uma gruta de ínfima dimensão. Nasceu e viveu ele na pobreza, desceu da vida para seguir Jesus e o entendeu, mais com o coração do que a razão, fraquejou, como qualquer ser humano e, exatamente pelo seu despojamento, Cristo o escolheu para ser o fundador da Igreja que emergia. Impossível imaginar Paulo, com seu imponente cavalo e aquela pose de ‘’eu sou mais eu’’, participando de festa junina. Quanto a Pedro, vejo-o percorrendo as barracas de canjica e quentões, pulando fogueiras e, até, ensaiando passos de quadrilha. E não esqueçamos Santo Antonio, reverenciado, com incontida expectativa, pelas ‘’moças casadoiras’’.

Boas festas juninas a todos e quem puder, desfrute-as no nordeste, especialmente na Paraíba, terra de muitos encantos e quase nenhum frio.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Da difícil arte de viver



Ao longo do exercício da advocacia – e põe longo nisto – tive e tenho o privilegio de conviver com colegas, de elevada competência profissional, mas que, exatamente por saberem quanto valem, são avessos a auto-promoção, nem fazem pose de impolutos. Com muitos, apenas convivo, com uns poucos tenho o privilégio de passear em suas intimidades. Hoje vou falar de um – e apenas ele se identificará nestes escritos – que, quando o visito em seu belo escritório, lá tenho vontade de ficar, por tempo indeterminado. Filho de desembargador já falecido, pouco mais novo do que eu, alcançou sucesso na profissão e total independência financeira, da qual não faz alarde. Cultiva o principio que ‘’viver é melhor que sonhar’’ e, sem tirar os olhos dos menos favorecidos, a quem empresta habitual generosidade, é amante dos bons vinhos e das belas mulheres, presas fáceis de sua inteligência e elegância. Casou-se, no sentido largo do termo, quatro ou cinco vezes e, nestes cerca de 10 anos que com ele convivo, jamais ouvi dele qualquer comentário desairoso em relação a elas. Certa vez, leu, esculpido em uma parede, a frase, que reproduzo, provavelmente com alguma imperfeição ‘’quem não ama totalmente, é porque não ama.’’ Naquele momento, tomou a decisão de terminar um relacionamento, que já perdera o brilho. Hoje, vive sozinho, em seu espaçoso apartamento. Sozinho, é maneira de dizer. Quando o corpo requisita, convida mulheres avulsas, mas se recusa a manter com elas simples relação de compra e venda. Respeita-as, como ser humano e as acolhe, fidalgamente, oferecendo-lhes um jantar, que ele mesmo prepara, regado a um vinho, de boa linhagem. O que vem depois é o que viria depois, com qualquer mulher, esposa, amante, mas com a reverencia, com que a distingue e que faz dele um cavalheiro, espécie que vai se extinguindo em tempo de barbárie. Orgulha-me, tê-lo em meu convívio, com quem aprendo, a cada dia, que a vida fica mais fácil e melhor de se viver, quando se a vive com generosidade. 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Maio: mês de Maria

Convencionou-se que o mês de maio, que se encerra hoje, é dedicado a Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Digo “convencionou-se”, porque Maria vive todos os dias em nossos corações, inundando-nos com seu incomensurável amor e sendo depositaria de nossas esperanças, nos momentos de aflição. Maria, Santa Maria de todos os nomes e regiões, unifica-se na capacidade de se entregar, por inteiro, em sua missão de servir ao filho, como todas as mães, de todos os nomes, que carregam seu rebento, desde o momento da concepção e o acompanha, vida afora, alegrando-se em suas vitorias e sofrendo, em suas derrocadas. Maria, mãe de Jesus, não foi mera espectadora de sua caminhada até o calvário. Como toda mãe, educou-o, na infância, repreendeu-o, quando ele se desgarrou dela, deixando-se ficar, no templo, entre sacerdotes, seguiu-o, em suas peregrinações e até o convenceu a realizar seu primeiro milagre, nas “bodas de Canaã”, mas, acima de tudo, mesmo sabendo da missão divina do filho, rasgou seu coração, na dor de seu sofrimento e, dor indescritível, repousou-o, morto, em seus braços. Maria é a obra prima, por excelência, de Deus, pois, através dela, Ele deu ao mundo seu unigênito para transmitir sua mensagem de amor. E não é assim com todas as mães, para quem cada filho é um “unigênito”? Se só chegamos ao Pai pelo Filho, tenho, para mim que, para se obter a graça do Filho, o melhor caminho é Maria. Deus tudo pode, portanto não precisava de Maria para fazer cumprir seus desígnios, ainda assim Ele quis fazer uso dela para trazer ao mundo seu Filho, para fazer chegar até nós a sua graça e salvação. Por isso, entregando nossa vida nas mãos de Maria, podemos mais facilmente ser conduzidos a Cristo. Assim, apenas simbolicamente, o mês de maio é dedicado a Maria, vez que ela está presente, todos os dias, em nossas vidas, como mãe abnegada que vela, sem cessar, pelo filho.
“Tu és, Maria, mãe da vida,
Sorriso do Deus nascido
Na plenitude dos tempos.”

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Por causa do evangelho de cada dia

Tenho o ancestral hábito de, antes de começar o trabalho cotidiano, fazer alguma oração, pedindo proteção para a jornada e visitando o ‘’evangelho do dia’’. De ambos – oração e evangelho – recarrego as baterias, cada vez mais gastas, nestes tempos de insegurança. Olho em torno e, ao constatar quantas pessoas dependem de mim, já gasto pelos fevereiros acumulados, arrepio-me. Pois na sexta-feira última, de movimento nenhum, telefone deliciosamente silencioso, repeti o ritual das manhãs chegantes e fui ao evangelho de Marcos (11,11-26), de onde extrai dois ensinamentos. O primeiro, vem da irritação de Cristo com a figueira que, por não ser época de frutos, não os dá. Por que teria Jesus se irritado, por não ter colhido frutos, mesmo sabendo que não era época deles? Depreendi que Ele quis nos ensinar que é preciso dar frutos, em qualquer época. Tive a impressão que Ele se irritava comigo, com esta vontade, quase ensandecida, de fechar a porta, deixar para trás compromissos, incompreensões, desamores e, tal qual a figueira improdutiva, andar, sem rumo e sem companhia, por uma praia sem fim. Enquanto escrevo, o telefone toca. Alguém exigindo alguma coisa de mim. Vejo-o, olhando, grave, para mim, como a dizer-me ‘’não disse que você tem que ser como a figueira, a dar frutos, a qualquer época?’’ Consola-me saber que um dia esta figueira morrerá, cessando sua responsabilidade de parir frutos e desaparecerá, sem deixar vestígios. A segunda parte do evangelho de Marcos, por sinal bastante conhecida, fala do momento em que Jesus expulsa os comerciantes do tempo: ‘’não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos? ‘’Vós, porém, fizestes dela um antro de ladrões’’. Aqui, não saio da obvia interpretação: se vivesse, hoje, quanto trabalho teria Jesus, ao ver o numero de ‘’casas de oração’’, transformadas em ‘’antro de ladrões’’, que exploram a fé, principalmente dos mais humildes, enriquecendo-se, por conta da promessa de milagres... que não acontecerão. Com certeza, muitos destes políticos, envolvidos em corrupção de todo o gênero, inclusive no desvio da merenda escolar de crianças famintas, freqüentam as missas dominicais e até comungam, esquecidos, ou melhor, despreocupados de que a Eucaristia é o momento em que se estabelece o vinculo entre o homem e Jesus: ‘’fazei isto em memória de mim.’’ Quando eu era criança e me preparava para a ‘’primeira comunhão’’, a catequista – irmã Frozina – (uma freira muito brava, que ensinava o catecismo com uma ameaçadora régua nas mãos), fazia-nos terrível advertência: se mastigássemos a hóstia ou, tivéssemos maus pensamentos, na hora da comunhão, a hóstia se cuspiria e sangue escorreria de nossa boca. Por isso, quando o sacerdote nos oferecia a hóstia consagrada e dizia ‘’o corpo e o sangue de Cristo’’, eu começava a tremer e suar frio, tal o temor de mastigar a hóstia ou ser acometido de pensamento negativo. Pensando bem: gostaria que fosse verdadeiro o vaticínio de minha catequista. Com certeza, seria o fim da hipocrisia religiosa e veríamos a afirmação do ensinamento do Papa Bento XVI, na introdução de sua encíclica ‘’Sacramentum Caritatis’’, onde ele afirma: ‘’No Sacramento do altar, o Senhor vem ao encontro do homem, criado à imagem e semelhança de Deus, fazendo-se seu companheiro de viagem. Com efeito, nesse sacramento, Jesus torna-se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar livres, Cristo faz-se alimento de verdade para nós’’.