O debate, que agora se trava, é saber porque a esquerda vem
perdendo força e a direita vem se consolidando, inclusive na America Latina,
com Macri, na Argentina e Keiko Fujimori (ou Pedro Kuczynksi), no Peru. A
resposta se me afigura bastante simples: a esquerda, onde governou ou governa
faz do assistencialismo popular sua marca registrada, violando a regra básica
da economia, qual seja a de que, antes de tudo, é preciso implementar o
desenvolvimento, ou, em linguagem vulgar, antes de dividir o bolo, é preciso
fazê-lo. O ‘’Kerchismo’’ quebrou a
Argentina, gerando a maior inflação e o maior desemprego de sua historia. O ‘’chavismo’’ idem, na Venezuela e Cuba
continua no século XIX. E, para complementar, esses governos de esquerda
pretendem sufocar a liberdade de expressão e se envolveram em rumorosos casos
de corrupção. No Brasil, é, pelo menos precipitado afirmar que o lulismo
representou um governo de esquerda. Lula, como se sabe, foi criação do General
Golbery do Couto e Silva, no final do Governo Geisel, ‘’fabricava’’ greves, quando a indústria automobilística estava com
excesso de produção e queda de demanda e, segundo Romeu Tuma Jr., foi
informante do DOPS. Seu governo privilegiou os grandes conglomerados,
especialmente os bancos, que jogaram as taxas de juros na estratosfera. Por
certo, este não é o perfil de governo de esquerda, apesar dos ‘’melancias’’ suspirarem pelo ‘’Barba’’. Quanto à Dilma, difícil é
fixar qualquer linha ideológica para seu governo, tal o arco de aliança,
obrigada a fazer, como condição de sobrevivência. Pode-se afirmar que foi o
governo do fisiologismo, onde couberam, no mesmo cesto, Jaques Vagner, Paulo
Maluf e Fernando Collor. Na verdade, esta dicotomia esquerda/direita, apenas
sobrevive – e na teoria – nos países subdesenvolvidos. A globalização, principalmente
a econômica, fortaleceu o capitalismo, com suas vigas mestras, a livre
iniciativa e a propriedade privada. Os países desenvolvidos pensam um ‘’Estado mínimo’’, cuja função é levar
bem estar aos menos afortunados. Como afirmava, com bastante propriedade,
Margareth Thatcher: a esquerda é muito competente para discursar, mas
absurdamente incompetente para administrar.
terça-feira, 12 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
A Ira Divina Há de Atacar Outra Vez
A TV mostra o homem, a caminhar solitário à margem da Avenida
Brasil, no Rio de Janeiro. Terá percorrido 13 quilômetros, de sua casa, até o
posto de trabalho, respirando a poluição dos carros, que trafegam pelo local e
sofrendo as agruras de uma temperatura, que supera os 30 graus. Mas, quem é
este extravagante andarilho? Simplesmente, um soldado do Corpo de Bombeiros,
daquele Estado, que, sem receber salário há vários meses, não tem dinheiro, nem
mesmo para a condução e tem a extravagante dignidade de ir, a pé, para o
trabalho. O mesmo programa de televisão mostra trabalhadores da área de saúde,
inertes, às portas dos hospitais públicos, porque, além de, também estarem com
seus salários atrasados, aqueles nosocômios, sempre pela mesma causa – falta de
verba, estão deteriorados, a reclamarem reformas, sujos, a reclamarem limpeza e
sem material, para atendimento aos pacientes. E, de cada 05 viaturas policiais –
mostra a reportagem – 03 estão paradas, por falta de verba para combustível. Em
nossa Capital, a cidade da América Latina que mais arrecada tributos, as escolas
publicas municipais suspenderam o
fornecimento de alimentação aos alunos e a empresa, contratada para fazê-lo,
justifica-se asseverando que a Prefeitura não paga suas faturas, inadimplência que,
também, atinge a área da saúde, onde prestadores de serviço chegam a ficar 05
meses sem receber. Malgrado tudo isto, vamos sediar as Olimpíadas, para o que estão
sendo construídas obras faraônicas, por certo, superfaturadas, por certo, com
substancial desvio de recursos para contas de corruptores e corruptos. Também foi
assim, na Copa do mundo de 2014. Como os governantes continuam achando que o
povo se sacia com circo (porque nem o pão eles fornecem), gastou-se fábula de
dinheiro para construir estádios de futebol, mesmo em locais, onde nem futebol
há. Parte substancial desse dinheiro foi desviado, seja para locupletar os mandriões
de sempre, seja para financiar campanhas políticas, inclusive da nefasta
Presidente da República. Todavia, como a ira divina (na qual creio e confio) é implacável,
a seleção brasileira, medíocre, foi impiedosamente batida e nosso futebol ficou
menor, aos olhos do mundo. Não se enganem: a ira divina vai se os abater outra
vez. Em respeito àquele bombeiro que, à pé, percorreu 13 quilômetros para
chegar ao trabalho; em respeito aos funcionários da área da saúde, que não recebem
seus salários; em respeito aos doentes, que não são atendidos, porque os
hospitais fecharam suas portas; em respeito às crianças pobres, privadas da
merenda escolar, porque o podre poder público não paga aos fornecedores, por tudo isto competidores brasileiros hão de
obter pífios resultados, nessas famigeradas Olimpíadas.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
A visita que alegra o coração
Fim de tarde, boca da noite, recebo, em meu escritório, a
visita de amiga queridíssima, amizade consolidada ao longe de mais de meio
século de convivência diuturna. Além de profissional de altíssimo gabarito –
psicóloga – é guerreira de resistência infinita: em curto espaço de tempo,
perdeu seus únicos filhos, ainda jovens, e o marido (meu companheiro de
infância) e os pais. Restou-lhe a única neta, como razão de viver. Resistir,
quem haveria de? Fiz-me esta pergunta incontáveis vezes e desviava o pensamento,
porque era muito peso para meu pouco pensar. Falamos da vida, do tédio da
velhice, da necessidade de seguir em frente. Não ousei falar de minhas perdas,
ínfimas que as são, comparadas às dela. Ela gasta seu tempo, acompanhando meus
escritos e diz preferir os ‘’líricos’’ aos ‘’políticos’’. Invoco Brecht: ‘’que
tempo é este em que falar de flores é quase um crime, pois importa em calar
sobre tantos horrores?’’ Ela ri, com seu meio sorriso habitual, discordando.
Nossa amizade atravessou o tempo, malgrado abismais diferenças ideológicas. Ela
crê em uma sociedade justa, digna, igualitária. Eu, cada vez mais cético,
confirmo que todo o descaminho se origina no hipócrita conceito de que ‘’todos
são iguais em direitos e obrigações’’, demagogia herdada da Revolução Francesa
e desmentida por ela própria. Aliás, Rousseau, que foi ‘’guru’’ de Robespierre,
apesar de ter falecido antes da Revolução, assevera que ‘’os homens se igualam
nos limites de suas desigualdades’’, o que, com outras palavras, foi repetido
por Rui Barbosa em sua ‘’Oração aos Moços’’, pronunciada cerca de três séculos
depois. Eu e minha amiga pensamos mundos diferentes, o meu mais próximo do
real, o dela meio chegado a um ‘’mundo de fantasia’’. Surpreendo-me que ela,
que levou ‘’tanta porrada na vida’’, para repetir Fernando Pessoa, ainda
acredite no ser humano bom e digno. E nisto reside sua superioridade, não se
vergando ao peso de sua cruz (e que cruz!) e seguindo em frente, com a
suavidade de quem caminha por estrada florida. Nossas diferenças nos unem,
sempre mais e este afeto fez com que nosso papo rolasse, até que a portaria
avisasse que o prédio ia fechar. Cheguei em casa de alma lavada pela água benta
da inteligência meiga de minha amiga. Mesmo sabendo que ela não crê em Deus,
tenho a convicção que é Ele que faz dela esta fortaleza, que aconchega as
pessoas. Sou, sem dúvida, um privilegiado, por tê-la em meu mundo.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Estamos perdendo até para a África
1.
O
Presidente da África do Sul sofreu processo de impeachment, porque gastou cerca
de 100 milhões de reais, de dinheiro público, na reforma de sua casa.
Livrou-se, porque tem maioria no Congresso de seu país. Garante que vai
devolver o dinheiro. Por aqui, nossa Presidente utiliza 200 milhões de
dinheiro, sabidamente desviado da Petrobrás, para sua campanha eleitoral, além
da prática de outras irregularidades, conhecidas de todos. Por certo, vai se
livrar do impeachment, porque está comprando, com cargos e outras mercadorias,
nossos probos deputados. Utiliza-se de uma estratégia, que me remete a minha
cidade do interior: nela havia um político que, nas eleições, distribuía um par
de botina a seus eleitores. Só que, para se assegurar que não seria traído,
dava um pé da botina antes e o outro, depois da apuração, e apenas se fosse
eleito. Na mesma linha, Dilma acertou cargos com seus aliados (Paulo Maluf, do
PP; Valdemar da Costa Neto, do PR; Fernando Collor, do PTB), todos honrados e
dignos companheiros.
2.
Na
última segunda-feira o Ministro Marco Aurélio, o mais novo advogado da
Presidente, no Supremo Tribunal Federal, participou do programa ‘’Roda Viva’’
da TV Cultura. Para começar, já é, pelo menos, estranho, juiz participar de
programa de televisão, inclusive emitindo juízos de valor sobre fatos que, com
toda certeza, serão a eles submetidos. Inimaginável e desconhecido
comportamento de Magistrados dos países desenvolvidos. Marco Aurélio criticou o
juiz Sergio Moro, detonou a operação ‘’lava jato’’ e disse que, mesmo que o
impeachment seja aprovado, Dilma pode contestá-lo no Supremo. As acusações
perpetradas, apesar de inconvenientes, são problema do Ministro-advogado.
Quanto à possibilidade de Dilma, em sendo declarada impedida, recorrer ao
Supremo, passa ele por cima do disposto no art. 52,I da Constituição Federal
que assevera: ‘’compete privativamente ao Senado Federal: processar e julgar o
Presidente e o vice Presidente da
República...’’ E, processo e julgamento, exatamente para se assegurar que as
regras jurídicas serão observadas, são dirigidos pelo Presidente do Supremo
Tribunal Federal. É claro que Marco Aurélio, apesar de não ser dos mais
brilhantes Ministros daquela Corte, conhece e sabe interpretar o citado artigo
da Constituição, todavia, como agora está investido no papel de advogado da
Presidente, já começa a mostrar os caminhos para driblar eventual decisão
condenatória do Congresso. Para completar, com a maior desfaçatez, Marco
Aurélio afirmou que as Instituições estão funcionando, normalmente. Como diria
aquele personagem do Chico Anísio: ‘’Só se for na França’’, porque, por aqui, o
Poder Executivo não faz outra coisa senão negociar a derrubada do impeachment;
o Poder Legislativo não faz outra coisa senão participar daquela barganha e o Poder
Judiciário, principalmente representado pelo Supremo, transforma-se em órgão
político, rasgando a Constituição, de acordo com a conveniência e os interesses
de cada Ministro.
terça-feira, 5 de abril de 2016
Resposta a um homem digno
Recebo do meu querido amigo e irmão em Cristo, Marcello Pizo,
e-mail que me obrigo a divulgar, até porque o ‘’amigo’’, a que ele se refere, sou eu. Obrigo-me, também, porque
Marcello mantém a dignidade dos que não abrem mão de seus princípios, nem para
obter privilégios. Conheci-o, assim, há 20 ou mais anos e tê-lo entre meus
raros amigos, estufa-me o peito de orgulho. Entendo e aplaudo o rigorismo dele,
porque, do outro transijo em meus ideais, para obter privilégios ou vantagens.
‘’Vivi’’ 1964 e o segui lado do rio,
precisamente em sua margem direita, também sou assim: não vivendo até hoje,
razão pela qual coloco, no mesmo saco de desserviço ao Brasil o PT e o PSDB.
Gostaria de ter Dilma apeada do Governo, primeiro, porque ainda vejo nela a
terrorista, que não deveria ter sido poupada; segundo, porque, muito mais do
que as ‘’pedaladas fiscais’’, coloco,
na conta dela, este terrorismo econômico e moral, no qual atolou o Brasil. Não
me considero ‘’coxinha’’, porque, nos
estertores da vida, continuo fazendo o que faço há 60 anos: trabalhando duro,
para honrar a confiança que depositam em mim. De igual sorte, nem de longe
Marcello pode receber a alcunha de ‘’petralha’’. Não me lembro dele senão como
um jovem aguerrido, depois, um maduro homem aguerrido, que não se abate, nem se
corrompe e faz do trabalho honesto o único meio de manter sua família.
Parabéns, meu caro Marcello, por estar na ‘’contramão’.
Como diria Vinicius ‘’se todos fossem
iguais a você...”
PELA CONTRAMÃO
Ontem
a noite encontrei um querido amigo na esquina de casa. Além de vizinhos
da mesma rua, frequentamos a mesma paróquia e nos conhecemos desde os
anos 90, quando ele era um dos advogados da empresa do meu pai.
Temos
um grande carinho um pelo outro e compartilhamos, além do convívio na
igreja, algumas afinidades. Somos apaixonados por cães e pelas
respectivas esposas, adoramos literatura e história, fazemos algumas
caminhadas juntos no Parque da Aclimação e gostamos de escrever.
As
conexões acabam por aí. Na política pensamos profundamente diferente, o
que não inviabiliza nossa relação afetuosa e respeitosa.
Voltando
à vaca fria: ontem a noite, logo após nos abraçarmos, ele disse que
pensara em mim durante o dia, após acompanhar os noticiários. Sabedor da
minha relação com o vice-presidente e do meu vínculo com o PMDB, supôs
que com a debandada do Partido do governo, eu me daria bem...
Contei a ele que sua suposição era completamente infundada.
Minha
relação com o PMDB começou nos meus 14 anos, no longínquo ano de 1981,
quando conheci Almino Affonso voltando do exílio. Mais tarde, ao atingir
a maioridade, me filiei e “fiz carreira” no Diretório Zonal de
Perdizes, onde fui de membro a presidente, além de me eleger para cargos
municipais e estaduais, sem NUNCA ter tido emprego no governo.
Há
alguns anos, sobretudo após a morte do Quércia, me afastei da vida
partidária. Minhas raras participações ocorreram para ajudar alguns
companheiros nas montagens das chapas do diretório e em alguns votos
esporádicos em candidatos amigos filiados a sigla.
Com
os últimos acontecimentos – processos do Eduardo Cunha, apoio ao
fechamento das escolas estaduais pelo líder da bancada estadual Jorge
Caruso, filiação da Marta, etc – entreguei em 21 de dezembro minha
desfiliação ao meu presidente do Zonal, Mauro Calló.
Portanto, NÃO ME DAREI BEM. Não quero me dar bem dessa forma e muito menos fazer parte desse movimento oportunista e golpista.
Mesmo
tendo muito respeito pela trajetória do Michel Temer, pelos tantos anos
de convívio, jamais apoiarei sua postura e seu eventual governo, caso o
golpe se instale no planalto.
Meu
amigo, lembrando-se de minhas posições contrárias ao apoio do PMDB ao
governo FHC, da minha briga com o Quércia quando ele se juntou aos
tucanos e agora com minha desfiliação, às vésperas do Partido vislumbrar
a subida da rampa, concluiu “Você sempre está na contramão”.
Assim como para Drummond, o anjo torto, daqueles que vivem nas sombras, me disse: Vai, Marcello! Ser gauche na vida.
Eu fui...
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Ainda o Supremo Tribunal Federal
Em discurso, pronunciado na última quinta-feira, Lula colocou
sob suspeita todo o Supremo Tribunal Federal, ao declarar que, ‘’se tudo correr
como esperado (ou combinado), até a próxima quinta-feira (7) estarei assumindo
a chefia da Casa Civil da Presidente Dilma.’’ Que nossa Corte Suprema vem
adotando posições, digamos, heterodoxas, quando se trata do ‘’petrolão’’ e do
impeachment da presidente, é fato que salta aos olhos. Alguns exemplos? As
denuncias contra Renan Calheiros, aliado da presidente, no processo de
impeachment, em que pesem a consistência e abundancia – são 9 – restam sepultas,
ao contrário daquelas que enlameiam Eduardo Cunha, que apoia o afastamento de
Dilma. Coincidentemente, aquela Corte, na esteira do fragilíssimo entendimento
do Ministro Barroso (e que levaria à reprovação qualquer aluno em Direito
Constitucional), apagou os artigos 5I, I e 52,I, de nossa Carta Magna e
concedeu poderes ao Senado para arquivar o pedido de impeachment, mesmo que
esse tenha sido aprovado pela Câmara Federal. Mais na frente, depois do
Ministro Gilmar Mendes decidir, em sede de liminar, que Lula não podia se tornar
Ministro, pois sua nomeação era, apenas, ‘’rota de fuga’’, para escapar da
possibilidade real de ter sua prisão preventiva, decretada pelo Juiz Sergio
Moro, outro Ministro, Teori Zavaski, com aquele ar impoluto, trouxe Lula para a
proteção do Supremo e, a partir daí, ciente da descabida blindagem recebida,
achincalhou o Poder Judiciário. Ao final da semana passada, ‘’vazou para a
Imprensa ‘’minuta’’ de voto, a ser dado pelo Ministro Marco Aurélio,
determinando ao Presidente da Câmara que instaure, também, processo de
impeachment contra o vice, Michel Temer. Ora, até o cachorro, que ressona a meu
lado, sabe que a minuta vazou do próprio gabinete do Ministro e não se precisa
ser inteligente para concluir que tal vazamento objetivou esfriar os ânimos do
PMDB e fazer com que os ‘’rebeldes’’ corressem à mesa das barganhas, em que se
transformou o Palácio do Planalto. Sugiro que a operação ‘’lava jato’’ passe a
observar os novos titulares desses cargos barganhados. Ainda falando sobre o
Supremo, não nos esqueçamos que a Ministra Rosa Weber (desconhecida Juíza Trabalhista
que chegou à Corte por influencia do
ex-marido da presidente),foi citada, por Lula, como ‘’aliada’’, naquela conversa gravada, entre ele e Jaques Vagner, o ‘’passivo’’. E, para completar, sem
estranheza, porque, salvo honrosas exceções, os Ministros do Supremo são pouco
afeitos à Constituição, assisto à defesa que o Advogado Geral da União faz da
pessoa da presidente da República. Ora, simples leitura do art.131 da
Constituição, indica que ‘’a Advocacia–Geral
da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado,
representa a União... ‘’não precisa ser jurista para concluir que ‘’representar
a União’’ não significa representar a presidente que, se está sendo
processada, como qualquer mortal, tem que, a suas expensas, contratar advogado
para defendê-la. Vem-me à memória – e eu o adapto – o tema da redação de meu
vestibular: ‘’ou o Supremo quer evitar o
mal e não pode, ou pode evitar o mal, mas não quer’’.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Chico Buarque ataca outra vez
Chico Buarque de Holanda saiu do sarcófago, foi assombrar
ator, proibindo-o de cantar ancestrais músicas suas e, ontem, ressurgiu no Rio,
nas manifestações ‘’pró Dilma’’ e ‘’pró Lula’’. Ah, o velho e memorável
Chico, hábil e astuto oportunista! Fez fama e fortuna, compondo músicas de
protesto ao regime militar e, quando o tempo esquentou, corajosamente
refugiou-se na Itália, bebendo bons vinhos e comendo saborosa ‘’pasta’’. Na verdade, nunca incomodou aos
militares, pois sua oposição era feita da varanda do ‘’Antonio’s’’, o então mais badalado – e caro – restaurante do Rio,
freqüentado por artistas de esquerda e milionários, de todo o gênero. O regime
militar foi embora, deixando o Brasil nas mãos dos corruptos civis, à exceção
de Itamar Franco e Chico continuou compondo, agora com menos intensidade. Os
infames e detratores (sempre os há, em profusão) insinuam que a inspiração de
Chico sofreu brutal baque com a morte do pai, o historiador, Sergio Buarque de
Holanda. Insinuação pérfida, com a qual não comungo! É que o Chico estava
preocupado em defender Fidel e Chavez, tarefa ingente para quem sempre se
apregoou paladino da liberdade. Também andou escrevendo uns dois ou três
livros, que não decolaram. Depois sumiu e as novas gerações desconhecem a ele e
a sua obra, o que é uma pena, porque tem muita coisa boa, à exceção dos ‘’hinos revolucionários’’. A ultima vez
que Chico se mostrara ao mundo foi beijando mulher, nas águas do Leblon. O
marido da dita cuja deu entrevista, enraivecido, chamando Chico de ‘’velho babão’’. Babão, mas faturou a
mulher do cara que, no fundo, deve ter ficado envaidecido pelos chifres
levados. Agora, Chico volta a brilhar, em plena Cinelândia, defendendo Dilma, a
incompetente e Lula, o milionário, que, ‘’sem
querer, querendo’’, colocou seu patrimônio em nome de terceiros. Chico é
assim mesmo: sempre escolheu péssimas companhias políticas. Chico é assim
mesmo: sempre apoiou – e continua apoiando – ditaduras sanguinárias e, se
possível, faturar ‘’algum’’. Não me surpreenderei se se transformar no ‘’muso’’ dos movimentos que chamam de ‘’golpe’’ o despejo de uma presidente,
cuja campanha foi movida com o dinheiro do ‘’petrolão’’. O velho e esperto Chico, aproveitando a ocasião, volta
à ribalta, mistura-se ao povão, realiza alguns shows, reforça o caixa e retorna
a seu uísque de incontáveis anos, a sua confortável residência e a seu
particular campo de futebol, onde, por certo, peão não entra.
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