Finalmente, como era de se esperar nesta República de segunda
categoria, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei, vindo do executivo,
repatriando ativos financeiros, ilicitamente enviados ao exterior, por pessoas
físicas ou jurídicas. O projeto segue, agora, para o Senado, onde, por certo,
também será aprovado, sem maiores resistências. Aqueles que aceitarem a
repatriação não serão processados por crimes tributários (sonegação fiscal,
descaminho, lavagem de dinheiro e evasão de divisas). Mesmo aqueles com
processo em andamento, pelos mesmos crimes, serão beneficiados, face ao
principio constitucional da retroatividade da lei mais benigna. O projeto, de
forma juridicamente esdrúxula, exclui políticos e pessoas, físicas e jurídicas,
cuja propriedade desses bens, sejam posteriores a 31 de dezembro de 2014. Digo “juridicamente esdrúxula”, porque deve
haver congressistas e membros do Poder Executivo que mandaram dinheiro para o
exterior, sem que decorra, necessariamente, de atos ilícitos. Muitos os há que são
empresários, de todo o gênero e que jamais se envolveram em atos de corrupção. Por
isso, a “exceção” viola o principio
da isonomia, o que, por isto só, justifica bater às portas do Supremo Tribunal
Federal. O segundo equívoco é a fixação do prazo final – 31.12.2014 – para se
beneficiar com a regularização. Isto, em síntese, quer dizer que estão a
descoberto quem enviar recursos ao exterior, a partir de 1º de janeiro de 2015.
A questão central, todavia, está na conceituação do que seriam “recursos obtidos de forma licita”. Sabemos
que muitos países – os chamados “paraísos
fiscais” – recepcionam ativos financeiros, vindos do exterior, sem
questionar a “origem” dos mesmos e
até utilizando-se de “mecanismos”
para “limpar” tal origem. Assim, a
expressão “recursos obtidos de forma
licita”, pode se transformar em letra morta. Por certo, se o proprietário desses
ativos, no momento da repatriação, tiver que comprovar a “origem licita do dinheiro”, a projeção do governo, em arrecadar
100 bilhões, cairá por certo. Tudo indica, pelo prazo final fixado, que o
projeto visa beneficiar as empresas e empresários, envolvidos na “lava jato”. Conheço caso especifico de
uma grande Construtora que, pelo menos desde o final dos anos 80, possui (ou possuía)
conta em Banco Suíço, não declarada no Brasil, e de onde “extraia” recursos para remunerar figurões da política brasileira. Continuo
achando esse projeto de lei uma nódoa na dignidade nacional, mas, como diz o
ditado popular “para um dálmata, qual a importância
de uma pinta a mais?”.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Dialogo inútil
Volto ao médico, levando a última bateria de exames. Quase preciso
de um carrinho de mão para transportá-los. O médico olha-os, sem pressa e dá
seu parecer: “- é, para sua idade, até
que você esta bem”. Tenho vontade de perguntar o que significa a expressão “pra sua idade”. Significa que tivesse eu
10 anos a menos, poderia preparar o velório? Resolvi me manter em silencio,
porque explicação de médico é sempre complicada. Quando me preparava para me
levantar e ir embora, ele atacou:
- “você sabe que nestes
05 anos que é um paciente, você engordou 15 quilos?”
- “tá bom – respondi eu
– uma média de 03 quilos por ano é bastante razoável “pra minha idade”.
Ele voltou ao ataque: “não
está nada bom! Experimente carregar um saco de 15 quilos de arroz, 24 horas por
dia”.
Não deixei barato: “a
troco de que eu sairia por aí, o dia inteiro, sem dormir, carregando um saco,
contendo 15 quilos de arroz?”
Ele riu, ficou sério e seguiu em frente: “você precisa perder, pelo menos, 10 quilos.
Quais são seus hábitos alimentares?”
- Os melhores possíveis: amo de paixão uma picanha, ao ponto
pra bem, regada na cebola, acompanhada de feijão tropeiro, recheado de bacon.
- “E bebida?”
Perguntou ele
- “Todas, sem
preconceito entre destiladas e fermentadas, de preferência vinho no inverno,
cerveja, no verão e uísque em qualquer época do ano.”
- “E doce, você gosta?”,
arrematou
- “Todos, à exceção de
doce de laranja, mas de preferência doce de padaria, doce de leite, pé de
moleque, paçoca e leite condensado é de tomar de colher. Chocolate, todos, mas,
em especial, os recheados com licor. Sorvete é ótimo, especialmente os de
fruta, mas, ficam no ponto certo quando se lhes adiciona uma colher de sopa de açúcar.”
Ele me olhou, ligeiramente espantado, fez aquele ar solene de
quem vai dar péssima noticia e arrematou:
“Péssimos hábitos os
seus, que precisam ser mudados. Você gosta de salada?”
“Abomino – respondi eu –
tem gosto do molho ou do azeite colocado. Quanto ao azeite, tudo bem, desde
que, em se lhe ajuntando sal e alcaparra, possamos chuchá-lo no pão italiano”.
- “E peixe, você gosta?”
Perguntou ele.
- “Também detesto, só
vale pelo molho. Prefiro carne de porco, assada, frita, cosida com mandioca, então,
é de comer ajoelhado.”
- “Você faz exercícios?”,
quis saber ele.
- “Já corri e andei
muito, mas como não achei nada, além de dores nas costas, hoje prefiro ler.
Aliás, meu caro doutor, o senhor quer que eu perca 10 quilos e o que eu vou
ganhar com isto?”
- “Melhor condição de
vida, é claro!”.
- “Então abro mão de
tudo que gosto e passo a fazer tudo que detesto e o senhor ainda chama isto de
melhor condição de vida?”
- “Você não precisa se
privar de todas estas coisas, apenas consumi-las, com moderação. Por exemplo, a
invés de beber uma garrafa de vinho, tome apenas uma taça. Em lugar de uma
caixa de chocolate, coma apenas um”.
- “Meu querido médico, o
que o senhor me propõe é mais ou menos o seguinte: vou pra cama com uma mulher
linda, ardente, escultural, dispo-a e, quando ela está totalmente disponível e
eu “naquele ponto”, dou-lhe um beijo, viro pro canto e durmo. O senhor acha que
isto faz algum sentido?”
Ele se despede de mim, em silencio. Perdera a batalha e eu
prometo voltar, daqui a um ano, provavelmente com mais 03 quilos da verdadeira “qualidade de vida”.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
A inútil festa das Olimpíadas
Vou abordar assunto desagradável. E, com todo direito, podem
me chamar de inoportuno, reacionário, pessimista e outros adjetivos nada
qualificativos. Quando se decidiu pelo Brasil, para sediar a Copa de 2014,
argumentou-se que o momento não era propício para tão gigantesco investimento e
que o retorno, em infraestrutura, seria pequeno, em relação aos gastos exigidos
pelo famoso “padrão FIFA”. E olha que
a crise econômica ainda estava escondida sob o tapete de Dª Dilma. E, para
justificar o evento, tinha-se como certa a vitória do Brasil, que faria
camuflar todas as mazelas. A vitória não veio e os estádios construídos, em
locais onde nunca houve futebol de verdade – Brasília, Manaus, Mato Grosso –
estão se deteriorando, por falta de uso e manutenção. Agora, vai se gastar a
módica quantia de 40 bilhões de reais, para, no próximo ano, termos as Olimpíadas
no Rio de Janeiro, cidade onde os bairros de periferia não possuem rede de esgoto,
cerca da metade da população vive em favelas e o índice de violência é um dos
maiores do mundo. Por outro lado, estima-se que o Brasil deve ganhar 40
medalhas de ouro, o que, em rasteira aritmética, dá 01 bilhão de reais por
medalha, o que, convenhamos, é um pouco desproporcional, na relação
custo-benefício. Já de larga data, o povo não mais se satisfaz com “pão e circo”. O Rio de Janeiro – cidade
que amo de paixão e em cujo mar do Leme quero que sejam atiradas minhas cinzas,
envoltas na camisa do Botafogo – carece de políticas públicas efetivas,
principalmente nas áreas de saúde e habitação. Logo logo, chegarão as chuvas de
verão e, com elas, os desabamentos e mortes, de todos os anos, sem que nada se
tenha feito, preventivamente, para evitar tais desastres. Por certo, toda esta
dinheirama, gasta com as Olimpíadas, melhor seria se investida nas carências da
população do Rio. Todavia, o “prejuízo”
já está consolidado e a “festa dos
esfarrapados” será revestida da habitual pompa e circunstancia, cumprindo
suas finalidades políticas. Resta o “jus
esperniandi” que, afinal, é o que se permite a este Brasil sem esperança.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Para falar de fé e razão
Talvez por falta de assunto para completar a edição, a ‘’Veja’’ do ultimo fim-de-semana, traz
pretensiosa e quase hilariante matéria, sob o titulo ‘’Qual é a origem da fé’’.
Conclusões, despidas de qualquer substancia, como afirmar que ‘’novos estudos de psicologia desvendam os
mecanismos que levam algumas pessoas a crer mais que outras. Os intuitivos
costumam ser mais religiosos que os reflexivos’’. E, para distinguir os
primeiros dos segundos, propõe-se um teste, absolutamente ridículo que qualquer
imbecil, com um mínimo de capacidade de raciocínio, resolve em poucos segundos.
Quem acerta é reflexivo e pouco dado à credulidade. Quem erra é intuitivo e,
via de conseqüência, propenso a crer. Demorei menos de um minuto para, sem
fazer qualquer conta, ‘’matar’’ as
questões propostas e olha que sempre péssimo aluno de matemática e ciências
afins. No entanto, considero-me xiitamente crédulo. Vejo a presença de Deus em
todas as coisas, oro, ao sair de casa, no trajeto para o escritório, quando
chego e saio dele e antes de dormir. Até que me provem o contrário, Deus fez o
céu e a terra e fez gerar Adão e Eva, dotando-os de livre arbítrio e foi aí que
a coisa desandou. É claro que questiono minha fé e, sempre que o faço, ela se
solidifica. Por que creio? Melhor, por que se crê? Porque temos o conhecimento
– intuitivo ou reflexivo – de nossa ‘’miserável
condição humana’’, repleta de ‘’pecados’’ materiais, tangíveis, como o
egoísmo, que impede de se estender a mão ao necessitado; como a inveja pelo que
não nos esforçamos para conquistar e outros conquistaram; como a soberba,
rainha-mãe de todos os preconceitos. Sabemos onde está o mal, mas, por
interesses escusos, não o evitamos e, quando somos punidos por nossa própria
culpa, precisamos pedir socorro a alguém, muito superior, para mim, Deus, Jesus
Cristo e os Santos que elegi como meus protetores. Cremos porque somos fracos e
essa fraqueza, a qualquer momento de nossa vida, vai aflorar e nós vamos buscar
apoio em um cajado invisível e, ao que nos conduz a ele, dá-se o nome de fé. Já
disse alguém que o dom da fé não passa pelo dom da razão. Não pode haver – e
não há – antagonismo entre a religião e a ciência, exatamente porque não há
antagonismo entre a fé e a razão. Os médicos são quase unânimes em afirmar que
os pacientes crédulos recuperam-se melhor do que os incrédulos. Por que assim o
é? Porque os primeiros possuem, dentro de si, a fé, aquele cajado que apóia,
que ajuda a sobrepor os obstáculos. Particularmente, como crédulo xiita, tenho
pena da ignorância dos incrédulos, pela incapacidade de enxergaram a obviedade
da presença de Deus. Tenho pena delas, porque, na hora da queda – que sempre
vem – falta-lhes o apoio do ‘’cajado’’.
Fala-se no ‘’big bang’’, como a
origem do mundo. A ciência desenvolve milhares de teses, escrevem-se milhares
de livros, mas a verdade, simples, transparente, está debaixo de nosso nariz: o
‘’Big Bang’’ é Deus.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Considerações sobre o aborto
O Congresso Nacional, com tanto assunto relevante a debater –
reforma política, administrativa, trabalhista, previdenciária tributária -,
todavia perde tempo, em discussões inúteis, porque infrutíferas, sobre temas
que se acham perfeitamente disciplinados por legislação, de longa data, em
vigor. Digo isto a respeito do projeto-de-lei, sobre o aborto. Tal matéria, com
bastante clareza e profundidade, encontra-se registrada nos artigos 124 a 128
do nosso Código Penal, inserido no capitulo que versa ‘’dos crimes contra a vida’’. Conceituado como ‘’interrupção da gravidez com a morte do produto da concepção’’, o
aborto é punido por nossa legislação, a menos que: a) seja necessário para
salvar a vida da gestante ou b) se a gravidez resultar de estupro. No primeiro
caso, adequadamente chamado ‘’aborto terapêutico’’, a lei, de forma ampla,
transfere para o medico o poder e a responsabilidade de decidir pela
interrupção da gravidez. A evolução da medicina, apoiada por exames de ultima
geração, dá perfeita segurança ao médico de precisar, a qualquer fase da
gestação, se esta coloca em risco a vida da gestante, sendo ele, médico, o
único autorizado a realizar o aborto. No
segundo caso, admite-se o aborto, cuja gravidez resultou de coação, com ou sem violência
física, pelos traumas físicos e psicológicos resultantes de ato sexual não
permitido. Vê-se, assim, que, em ambos os casos, nossa lei penal preservou a
mulher gestante, de gravidez perigosa, física e psicologicamente. Neste tema, a
jurisprudência evoluiu, admitindo a pratica abortiva, nos casos em que se
comprovou que a criança nasceria com anomalias graves ou fatais (anencefalia,
por exemplo). É o chamado ‘’aborto eugênico’’.
O que nossa lei proíbe e pune é o aborto sem causa, que pode ser equiparado ao
homicídio premeditado. Os métodos anticonceptivos são tantos e tão ao alcance
de todos, que nada justifica a legalização do aborto. Dizer, como o fazem os
adeptos dessa nefasta tese, que a mulher deve ser livre, para dispor de seu corpo,
como bem o entender, extrapola o campo da religião e da moral e se ingressa no
campo do Direito, porque, no aborto sem causa, a mulher não esta dispondo de si
mesma, mas de uma terceira pessoa, que começou a existir desde o momento da
fecundação. E tanto assim o é que nossa lei civil ‘’assegura o direito do nascituro’’ (Código Civil, art. 2º)
Vê-se, pois, que a matéria – aborto – já se encontra
perfeitamente disciplinada em nosso ordenamento jurídico e vai sendo,
gradualmente, aperfeiçoada pelos Tribunais, sempre que as condições sociais a
exijam. Raciocinar ao contrario é involuir, é transformar a vida em atos sem
regras, o que, por certo, leva à barbárie.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Por causa de uma amizade perene
Amigo muito querido, de quase meio século, fez aniversario,
ontem. Juntos, passamos por dificuldades financeiras, ultrapassamos águas
revoltas, até alcançar mar tranquilo. Juntos, com nossas esposas, pastoreamos a
noite carioca e os dias, memoráveis dias, paraibanos. Nossos filhos cresceram,
lado a lado e, para meu orgulho, herdaram nossa amizade. Por tudo isto – e
muito mais – quis cumprimentá-lo e ele, sempre arredio a esta data,
simplesmente desapareceu. Tem tanto horror à velhice, que a denomina ‘’a pior
idade’’. Até concordo com ele, mas, como é fato definitivo, conformo-me, sem
maiores traumas, apesar das dores nas articulações, da pressão, que precisa ser
cuidada e da cirurgia, que precisa ser realizada. Mas, nos momentos de
depressão fugidia, fica a pergunta: o que fiz de minha vida? Ele é guerreiro
indomável. Filho de Ministro de João Goulart, a Revolução de 1964, apanhou-o,
gozando as delicias do outono italiano. Desceu do céu ao inferno, em poucos
dias. Como o pai era homem honrado (outros tempos!), tornou-se o guia, material
e moral, de uma família de incontáveis irmãos e segurou a onda, como surfista
invulgar. Perseguido pelo regime militar, teve a coragem de jogar, pela janela,
cargo publico vitalício e se lançar na iniciativa privada, enfrentando e
vencendo as dificuldades de uma área – mineração -, na qual nunca cavara. Mas a
política borbulhava em seu sangue e o convocou para árduas e inconstantes
batalhas, em sua terra natal, onde foi tudo, municipal, estadual e federalmente
falando. Jamais transigiu com a subserviência e com a corrupção, mesmo que essa
intransigência lhe trouxesse inimizades... de pouca duração, porque sua
altivez, aliada a sua exuberância, destruíam qualquer inimizade efêmera.
Ficamos e somos amigos, apesar de nossas divergências políticas e de ser ele
Fluminense e eu Botafogo, ambos fanáticos.
Ficamos velhos, cada dia mais, meu queridíssimo Osvaldo
Jurema, mas escrevemos uma historia de lutas e conquistas e o simples fato de
ainda estarmos aqui, para contá-la, já é motivo para comemorarmos.
Que Deus continue guiando seus passos!
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Minhas fartas fontes de inspiração
Encontro dileto amigo, que me honra, seguindo estas ‘’mal traçadas’’, formula imerecidos
elogios pelas ditas cujas e se diz surpreso por não saber onde acho assunto,
para escrever com tanta constancia. A resposta é simples: no cotidiano. Em
primeiro lugar, pontuo o (des) governo Dilma, sempre a nos brindar com fato
novo que, ou causa irritação patriótica, ou provoca hilariedade. Agora mesmo o
Poder Executivo encaminhou projeto de lei ao Congresso, propondo a repatriação
de ativos financeiros, remetidos, ilicitamente ao exterior e que voltariam, sem
que o dono da grana tivesse que justificar a origem da mesma. Basta pagar 30%
do valor repatriado (15% de I.R e 15% de multa), e estará extinta a sonegação
fiscal e o crime de ‘’lavagem’’ ou ocultação de bens, direitos e valores, atos
ilícitos, a que a leia 9.613, de 03 de março de 1998 prevê ‘’pena de reclusão
de três a dez anos e multa’’! Maravilha! O projeto de lei, em questão, cria a ‘’Lavanderia Brasil’’, cuja gerentona
atende pelo nome de Dª Dilma. O cachorro, que, a meu lado assistia ao debate do
projeto, na Câmara, retirou-se, abanando o rabo de indignação, quando o líder
do PT afirmou que só seria repatriado o ‘’dinheiro
licito’’. A esta altura, o outro cachorro, que assistia pela janela,
exclamou, surpreso: ‘’mas se o dinheiro
saiu ilicitamente, como pode ter se tornado licito?’’. Atirei-lhe um
biscoito e mandei que ele se retirasse. Muito novo para entender essas coisas
de política brasileira. O projeto foi retirado de pauta para se adequar a
redação de relatório. Adequar como, não se sabe, uma vez que, como bem observou
meu cachorro, não há fórmula jurídica que faça com que um ato ilícito adquira
licitude. A partir do momento em que o detentor dos ativos financeiros,
transferiu-os para o exterior, sem informar à Receita Federal e à revelia do
Banco Central, estão consumados os crimes descritos na lei 9.613/98. Este
(des)governo, no afã de cobrir seu ‘’buraco de caixa’’, chega, agora, ao
desvario de se unir a traficantes e corruptos, de todo o gênero, que escondem
dinheiro no exterior.
Eis aí, caro amigo, como são fartas as ‘’fontes de inspiração’’ deste pobre escriba.
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