Está em tramitação, na Câmara Federal, projeto de lei que
fixa uma alíquota mínima de 2%, para o ISS – Imposto Sobre Serviços – e
obrigatória para todos os municípios da Federação. O ISS é, sem dúvida, o
tributo, cuja cobrança tem gerado mais controvérsias, ao longo do tempo.
Legislação federal de 1968 estabelecia que tal imposto era devido na ‘’sede do estabelecimento prestador’’. Estribados
em tal legislação, alguns municípios, transformaram-se em verdadeiros ‘’paraísos fiscais’’, fixando alíquotas
em percentuais mínimos – 0,5 a 1% - e atraindo, para ali se instalarem,
empresas de prestação de serviços, de natureza, as mais variadas, com visível
prejuízo para os municípios, onde os serviços eram realmente prestados. Travou-se
verdadeira guerra fiscal entre tais municípios, com prejuízo para o
contribuinte que, em inúmeros casos, era vitima da chamada ‘’bitributação’’, ou
seja, era cobrado pelo município, onde tinha sua sede e também por aquele, onde
prestava os serviços. A mim sempre me parecem mais justo e, conseqüentemente,
mais legal que o ISS seja recolhido no local da prestação do serviço, pela
objetiva razão que foi neste local que o contribuinte auferiu sua renda. Assim,
ao fixar uma ‘’alíquota mínima’’, o
Poder Legislativo minimiza a guerra fiscal, entre municípios e promove melhor
justiça tributária. Todavia, a meu modesto juízo, a questão não se pacifica com
a solução adotada. Há outros nós que precisam ser desatados. Imaginemos, por
exemplo, uma empresa de ‘’plano de
saúde’’, cujo faturamento bruto seja ‘’x’’.
Acontece que esta empresa remunera hospitais, laboratórios, clinicas de
diagnósticos, clinicas medicas, sendo que todos esses ‘’estabelecimentos’’ também pagam ISS, proporcional a suas
respectivas receitas, gerada daquele plano de saúde. Como a legislação em vigor
estabelece que aquele tributo incide sobre a ‘’receita bruta’’, não se admitindo, pois, qualquer dedução, daí
decorre que os municípios acabam recebendo várias vezes, pelo mesmo fato
gerador. Tal incongruência tributária tem levado muitas empresas às portas do
judiciário, para obstar esse verdadeiro confisco tributário. Seria oportuno que
o legislativo definisse, com clareza, que o ISS incidiria sobre a receita
líquida das empresas, remetendo aos municípios o direito de estabelecer como se
definiria essa receita liquida, ou quais deduções poderiam ser feitas. De
qualquer maneira, o projeto de lei, em via de aprovação pelo legislativo
federal, já é um grande avanço, na solução de problema de tamanha complexidade.
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Um chamamento à consciência
O Evangelho de hoje, 09, (Lucas, 6, 20-26) merece especial
reflexão. Nele, Jesus acalenta os pobres, acenando-lhes, como recompensa pelas
suas agruras, com o ‘’Reino de Deus’’.
Ao contrario dos falsos missionários dos tempos modernos, Jesus não se propõe a
resolver os problemas socioeconômicos do povo. Por outro lado, Jesus lança sua
ameaça aos ricos, excluídos que serão da gloria eterna. Todavia, por ‘’ricos’’ devamos entender aqueles que
levam vida confortável, voltada, exclusivamente, para si mesmos, sem se
preocupar com seus semelhantes. A fotografia daquela criança imigrante,
chegando morta à praia, chocou o mundo e fez com que muitos países, aos invés de
erguer muros e cercas, para impedir a entrada dos fugitivos da miséria – e que miséria
maior pode haver do que a guerra? -, resolvessem abrigar esses infelizes. É incompreensível
que países ricos e poderosos, como os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra não
possam, em esforço conjunto, restaurar a paz na Síria e minimizar a fome na
África. E nós, o que fazemos pelas crianças e desamparados, que passam por nós,
todos os dias e que os contemplamos, como se fossem, apenas, parte da paisagem
do cotidiano? Reduzimos a maioridade penal para 16 anos; amanhã, reduzi-la-emos
para 14 e, depois de amanhã, para 12 e, tempo virá que, tal qual Herodes ensandecidos,
matá-la-emos, os pobres, os filhos da miséria, no próprio berço, porque não
queremos ser ameaçados, no nosso covarde conforto. Outro dia, na porta da
Catedral da Sé, um morador de rua, que só tinha a própria vida para oferecer,
ofereceu-a, em defesa de uma jovem ameaçada por um psicopata. Quem de nos seria
capaz de tal gesto? Reclamamos da precariedade das políticas publicas que
permitem que ‘’zumbis’’ se droguem
nas ruas da cidade. Percorremos as ruas da cidade, onde homens, mulheres e
crianças, vivem ao relento e dormem, cobertos por pedaços de papelão. E o que
fazemos? Olhamos para o outro lado, sem parar para pensar que aquele homem e
aquela mulher, hoje, molambos atirados a um canto, com certeza, um dia tiveram
o sonho de ter uma vida, minimamente digna. E que destino está reservado para
aquela criança, esquálida, maltrapilha, provavelmente faminta, que dorme, ao
lado? Tornar-se-á mais um ‘’hóspede’’
das ‘’Febens’’ da vida? É mais fácil
dizer: - ‘’O problema não é meu’’,
como se todos nós, coletiva e individualmente, não fossemos responsáveis pelas
mazelas sociais, que ajudamos a construir, com nosso egoísmo. Pois nós somos os
‘’ricos’’, de que fala o Evangelho,
condenados a viver nas trevas que esse egoísmo construiu. O que Jesus propõe –
e que grande recompensa ele nos oferece! é que nos deixemos atingir pelo amor
ao próximo, traduzido por ações concretas de ajuda aos desafortunados.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
O tendencioso relatório da Anistia Internacional
Segundo relatório da Anistia Internacional, ‘’a força policial brasileira é a que mais
mata, no mundo.’’ Todavia, o que a ‘’Anistia’’
esqueceu-se de dizer foi que o policial brasileiro é que mais morre, no mundo, seja em confronto
direto com marginais, seja vitimado por atos de mera vingança. O simples fato
de ser policial já se torna iminente risco de morte, razão pela qual o
policial, via de regra, procura camuflar sua identificação. O exemplo do Rio de
Janeiro, indicado como, pela ‘’Anistia’’ é prova que ela desconhece a realidade
daquela cidade, literalmente cercada por favelas e sede de maiores organizações
criminosas do mundo. As chamadas ‘’UPPs –
Unidades Policiais Pacificadoras’’ foram tentativa de reduzir a
criminalidade, naquelas favelas, mas os resultados alcançados ainda estão muito
longe das metas estabelecidas. As Secretarias de Segurança, de todas as
Unidades da Federação não dispõem de armamento, qualitativa e quantitativamente,
e muito menos de efetivo à altura das necessidades. Com a experiência de quem
advoga, há mais de 30 anos na área criminal, com passagem pela Diretoria da
Secretaria de Segurança do Rio, afirmo, sem nenhuma margem de erro, que nosso
policial, seja civil, seja militar é verdadeiro herói: sendo um dos mais mal
remunerados do mundo – fato não apontado pela ‘’Anistia’’ – vive em estado de permanente estresse, nunca sabendo
onde vai enfrentar o perigo e qual o real poder de fogo do inimigo. Por outro
lado, nossa legislação penal obsoleta confere ao marginal inúmeras regalias,
tendo se transformado em jargão popular a expressão ‘’a polícia prende e o juiz solta’’. E, se o juiz solta é porque
ele, escravo da lei, é obrigado a cumpri-la, mesmo sabendo que o delinquente,
que soltou, voltará a delinquir. Nosso sistema carcerário é medieval e nenhum
governo, em qualquer dos seus níveis, tem interesse em resolver o problema. Fica
mais fácil e menos oneroso criar leis, estabelecendo outras formas de
reprimendas, que não a restrição à liberdade, o que apenas serve para estimular
a criminalidade. Agora mesmo – e já falei sobre isto - , o Supremo Tribunal Federal
inclina-se para descriminalizar o porte de drogas, para uso próprio. Onde
imaginam que o consumidor drogado vai adquirir o produto, senão em mãos dos
traficantes, que possuem armamento pesado para protegerem suas ‘’empresas’’? Pois é o policial
estressado, mal remunerado, pessimamente equipado, que terá que enfrentar este
traficante, que ficará mais poderoso, com a descriminalização do uso da droga.
Por isso, não tenho dúvidas em afirmar que o relatório da Anistia Internacional
é um equivoco, porque analisa consequência, sem considerar as causas. Afinal, -
como diria o ‘’Coronel Nascimento’’ – quem puxa o gatilho da arma, que está na
mão do policial, é o governo, que o desprestigia, é o juiz que, obediente a uma
legislação anacrônica, privilegia o marginal, concedendo-lhe regalias, como o
direito de recorrer em liberdade, indulto de natal, saída nos dias dos pais
substituição da pena privativa de liberdade em prestação de serviços, etc, etc.
Enquanto isto, a ‘’Anistia’’, como
ilustre integrante da ‘’esquerda caviar’’,
escreve bobagens, enquanto a população se esconde dentro de casa, os mais afortunados
blindam seus carros, fecham suas ruas e contratam segurança privada. Nunca,
como hoje, viver é ato de coragem e os policiais são, sem dúvida, os maiores
heróis desse ato.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
O enfraquecimento dos Poderes da República
Quando entrei na Faculdade – já lá vai meio século – tive
alguns professores que, à época, eram Desembargadores do Tribunal de Justiça de
São Paulo, o que os revestia de um manto especial de saber e dignidade.
Lembro-me, em especial, de Washington de Barros Monteiro, não só por ter sido
meu professor de Direito Civil, por 04 anos, mas também pela meiguice, com que
nos tratava, o que fez dele nosso paraninfo. Décadas depois, foi contratar um
parecer dele, dirigindo-me a seu sóbrio escritório, ali ao lado do Teatro
Municipal. Na ocasião, acompanhou-me meu filho, então estudante de direito e o
ilustre professor, exaltou inexistentes qualidades minhas. Por óbvio, era só um
afago, primeiro, porque fui aluno apenas mediano; segundo, porque, tantos anos
passados, impossível ter ele me retido em uma memoria, que chegava aos 90 anos.
Todavia, tê-lo tido como meu professor, é motivo de orgulho, do qual não abro
mão, como, por certo, constitui honra e glória de nosso Tribunal de Justiça
tê-lo tido como seu integrante. Com o tempo, inúmeros colegas e contemporâneos,
que ingressaram na Magistratura, ascenderam ao Tribunal de Justiça e dois deles
chegaram a sua Presidência. O tempo seguiu seu caminhar implacável e eis que,
outro dia, deparei-me com ex-estagiário de meu escritório, envergando a toga de
Desembargador. Ao longo de quase 50 anos, a não ser longínquos e enfraquecidos
murmúrios, jamais tive conhecimento de fato relevante e consistente que pudesse
macular a dignidade de nosso Tribunal de Justiça. Vivemos tempos sombrios, com
as instituições em frangalhos, o que torna tênue a nossa melancólica democracia.
Nenhum membro do executivo federal pode circular pela cidade, sem correr o
risco certo de ser vaiado, como aconteceu com José Eduardo Martins Cardoso, ao
percorrer centro de compras, em direção a uma livraria. O próprio Lula afirmou
que não se encoraja a ir a restaurante em sua própria cidade – São Bernardo do
Campo, aliás, berço do petismo. Os deputados e senadores protegem-se no
anonimato e os mais conhecidos são reféns de si mesmos. Excluem-se dessa
mixórdia o Poder Judiciário – e eu só posso falar por São Paulo – que,
excetuados raríssimos e esporádicos casos pontuais, vem se mantendo como a viga
– mestra da verdadeira democracia, aquela em que o interesse do povo é colocado
acima de tudo, e de todos. Do lado contrário, o Procurador Geral da República,
ao propor o arquivamento da representação contra a Presidente Dilma Roussef,
compromete o alto grau de independência do Ministério Público, instituição que
vem se destacando pelos relevantes serviços prestados ao País. Em boa hora, o
Ministro Gilmar Mendes não acatou aquela proposta de arquivamento e determinou
que as diligencias prosseguissem. Não creio na desonestidade pessoa da
Presidente, mas, quanto a seu partido, os fatos têm gritado, todos os dias,
através do silencio que, no caso, no é o dos inocentes.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
O Retorno – não querido – das férias
Tinha eu a inabalável intenção de tirar férias das coisas que
dissessem respeito ao lulopetismo e ao (des) governo Dilma. Mas abro meu
laptop, movido a querosene e, de cara, deparo-me com a noticia que o ‘’Instituto Lula lança o Memorial da
Democracia’’, ocasião em que o ex-presidente e pré-presidiário afirmou que
‘’é preciso saber os motivos dos
protestos que tem se espalhado pelo País’’. Ou o ‘’ex’’ e ‘’pré’’ é cínico
ou ignorante, porque os motivos das manifestações afloram, todos os dias, dos
noticiários. Os principais ideólogos do PT saíram da ‘’Papuda’’ e, ato contínuo, encontram-se encarcerados na Polícia
Federal de Curitiba; o relacionamento, nada republicano, entre o palestrante
mais bem remunerado do planeta e a Construtora Odebrecht já teve seus detalhes
sórdidos expostos à visitação pública e o Presidente daquela Construtora é
companheiro de cela de José Dirceu e do tesoureiro do PT; a Presidente Dilma
manda ao Congresso um orçamento prevendo, pela primeira vez, na historia do
País, com déficit de 40 bi; Helio Bicudo, petista histórico e fundador do
partido, protocolou pedido de impeachment da Presidente; o BNDES emprestou 800
milhões de dólares para construção de um porto, em Cuba, recebendo, como garantia,
a produção de charutos, daquela malfada ilha; a produção industrial brasileira
recuou quase 10%, em um ano; o dólar fechou na maior quitação, desde 2012; a
inflação ultrapassou os 10%, o maior índice, desde 2002, o mesmo acontecendo
com o desemprego; o governo, como solução para a queda da arrecadação, aumenta
impostos e quer criar outros, mas encontra resistência da própria base aliada;
com a retração do mercado imobiliário, a venda de material de construção caiu
11%, em relação a agosto do ano passado; e, para não me alongar, concluo com a
declaração de Dª Dilma de que ela não sabia que a crise era tão grave. Meu caro
Mister Brahma: o senhor acha certo interromper minhas ‘’férias’’, eu a falar de coisas sérias, ou a relembrar noitadas
vividas e vir com esta provocação de lançar um ‘’memorial da democracia’’? O senhor tem a mais pálida idéia do que
seja democracia? Ao contrario do que o senhor possa imaginar, não é ela, a
democracia, o governo do demo. Do demônio da corrupção; do demônio do engodo;
do demônio do uso dos meios, os mais fraudulentos, para se perpetuar no poder,
apenas para tirar todas as vantagens – indevidas, é claro – possíveis. O seu ‘’Instituto’’, meu caro, não passa de
tosca ‘’lavanderia’’, utilizada para ‘’limpar’’ a sujeira do seu dinheiro,
usurpado do brasileiro pobre, que espera na fila do SUS, ou aguarda por um
vaga, para colocar o filho na creche. O senhor, sua gente, seu partido, serão
execrados, por todo o sempre, porque, mais do que o dano material, vocês
mataram a esperança, que lhes foi depositada por milhões de brasileiros.
Agora, deixe-me em paz para que eu possa curtir estas “férias”, como acho que mereço.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Para não dizer que não falei de noitadas
Começávamos, quase sempre, pelo ‘’Aladin’’, um bar, sem maiores pretensões, dentro de nossas parcas
condições financeiras e que ficava ali na Bernardino de Campos, ‘’entrada’’ da Avenida Paulista. Entre
chopes e quibes, discutíamos musica e literatura, com a segurança inconseqüente
da juventude: ‘’Sabiá’’, ou ‘’Pra não dizer que não falei de flores’’?
E tome discussão sobre a finalidade da arte. A “arte pela arte”, dos
parnasianos ou a ‘’arte engajada’’,
dos realistas? Bandeira ou Drummond? E minha preferência pelo primeiro, certa
vez, quase resultou em agressão física, com um dos presentes, atirando-me o
conteúdo do copo. Deixávamos para trás os autores brasileiros e, meio às tontas,
na selva escura de nossa ignorância, avançávamos pela literatura estrangeira,
eu, sempre na linha do ‘’politicamente
incorreto’’, exaltando os romancistas ingleses: - ‘’Sartre é uma besta, que só agrada a esta esquerda podre. ’’ E lá
vinha o Vidal – o mais culto do grupo – a repetir seu bordão preferido: - ‘’cara, reacionário e pobre, não combina’’.
Eu e Paulo éramos os únicos ‘’reacionários’’ daquele grupo de 10 ou quase. Lá
pelo décimo chope e algumas vodcas de permeio, para me irritar, os ‘’outros’’ começam a cantar ‘’Caminhando’’, do Vandré, que fizera
sucesso no último festival, a que eu respondia com um palavrão e saia, batendo
os pés, até que alguém me alcançasse na calçada, fazendo-me voltar ao convívio
dos semi-embriagados. Foi, então, que ‘’bolei’’ um plano para sufocar os membros
daquela esquerda boemia. Como era possuidor de bela enciclopédia literária –
que, apesar de desatualizada, ainda conservo comigo – recorria a autores,
absolutamente desconhecidos, que abonavam minhas teses, sem nem eles mesmos
saberem: - ‘’que Brecht, que nada. Você
já leu o sociólogo Daniel Bell?’’ É claro que eu nunca tinha lido, mas
citá-lo, revestia-me de uma aura de sapiência, que impressionava meus
opositores. E eu citava, como se fosse do tal Bell, pensamentos que eram meus,
apenas revestidos de palavras e imagens rebuscadas. Não me envergonhava de tal
estratégia, até porque, mais 10 chopes à frente, os debates acalorados eram
esquecidos, alguém alcançava um violão e cantávamos as músicas de sucesso, até
sermos, mesas e cadeiras empilhadas, colocados para fora.
Constato, sem tristeza, mas com doce lembrança, que o ‘’Aladin’’ não mais existe e os
companheiros daquelas noitadas perderam-se na inexorável poeira do tempo.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Segunda feira é noite de TV Cultura
Segunda-feira é noite de assistir ao ‘’jornal da Cultura’’. Lá está o brilhante historiador, Marco
Antonio Villa, a desancar o Governo Dilma e apontar o dedo acusador para Lula.
E lá está – com menos brilho, é verdade – o ex deputado Airton Soares que,
apesar de suas escorregadas petistas, repete, com precisão, serem os bancos os
grandes vilões da crise. E, de quando em vez, é noite de, no mesmo canal,
assistir ao programa ‘’Roda Viva’’. O
de ontem, 31, reuniu algumas personalidades para discutirem a crise – e são
várias em uma só – e possíveis saídas para ela. Como não poderia deixar de ser,
fez-se um pouco a apologia do obvio, como diria o eterno Nelson Rodrigues.
Fazer a reforma administrativa, diminuindo o tamanho do Estado; fazer a reforma
tributaria, como forma de melhor distribuir os ônus e a riqueza; fazer a
reforma trabalhista, restringindo o poder dos sindicatos e flexibilizando as
relações de trabalho; fazer a reforma política, diminuindo o número de
partidos, de modo que apenas sobrevivam os que, realmente, tenham representação
popular. Tudo isto quem tenha um mínimo de lucidez, já sabe. As perguntas, que
ficaram sem resposta, foram: como fazer tais reformas e quem as farão. Todos
estiverem de acordo que a Presidente Dilma perdeu a capacidade de governar o
País, então ela não o será. Todos estiverem de acordo que o Congresso, que aí
está, além de ‘’rachado’’
internamente, é movido por interesses pessoais. Então, ele também não o será.
Todos concordaram que a oposição carece de um líder capaz de galvanizar ‘’a voz das ruas’’ e fazê-la ecoar em
Brasília. Então, a oposição também não o será. Assim, o debate, em que pese o
nível dos debatedores, caiu no vazio. Duas notas dissonantes: o economista
Mailson da Nóbrega afirmou que há exagero, que a crise não é tão grave, como se
a descrevem. É compreensível! Ele, como ministro da Fazenda do Governo Sarney,
produziu a maior inflação da historia do Brasil: 90% ao mês. O segundo ponto
negativo foi o Presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, dar, como
exemplo de criatividade, o aumento de 100% em algumas custas judiciais. Desde
quando aumentar encargos fiscais é exemplo de criatividade? No caso especifico
das custas judiciais, tal exacerbado aumento apenas servirá para inibir o cidadão
que, vilipendiado em seu direito, tem, no Poder Judiciário, a última esperança
de ver esse direito restaurado. E, no caso do aumento anunciado, os ativos
financeiros arrecadados, não se reverterão a favor do Poder Judiciário, que
continuará com sua máquina paquidérmica e seus funcionários, assoberbados de
trabalho, ganhando remuneração aviltada. Apenas à guisa de exemplo: uma
petição, protocolada hoje, somente chegará as mãos do Juiz, na melhor das
hipóteses, daqui há 02 meses. A advocacia, atualmente, é um doloroso exercício
de paciência, para advogados e clientes. Os serventuários da Justiça e os
Magistrados estão asfixiados com o excesso de trabalho (as ‘’turmas’’ do Tribunal de Justiça chegam a
julgar 200 recursos, numa única sessão), e o Poder Executivo não se
sensibilizou com o problema do jurisdicionado, preocupado, que está, em
resolver seu problema de caixa. Fernando Capez é nova, jovem e auspiciosa
liderança, que surge, egresso de sólida Instituição, que é o Ministério
Público. Tem ele se sobressaído, pelo seu dinamismo, na presidência da
assembléia legislativa paulista. Todavia, no episódio do aumento das custas
judiciais – que conta com o repudio da OAB/SP – melhor fora que o jovem
deputado propusesse que o Poder Executivo Estadual reduzisse o tamanho da
máquina administrativa.
De qualquer maneira, o ‘’Roda
Viva’’ de ontem foi prazeroso. Afinal conversa, entre pessoas inteligentes,
traz, sempre, aprendizados.
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