quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O que resultará da Operação Lava Jato?


Em conversa com colegas, tenho sustentado, baseado em análogos fatos anteriores, que, malgrado o monumental trabalho executado pelo tripé, Policia Federal, Procuradoria da República e Juiz Sergio Moro, a operação ‘’lava-jato’’ transformar-se-á em humilde ‘’esguicho’’, quando chegar ao Supremo Tribunal Federal. Sou fortemente contestado pelos sonhadores de plantão que se iludem afirmando que os tempos são outros, que os Ministros não terão coragem de colidir com a mídia, que a ‘’voz das ruas’’ ecoará na Corte Suprema, etc, etc, etc. Tolos, que em seu romantismo exacerbado, não percebem que o Supremo, para usar imagem do historiador Marco Antonio Villa, transformou-se num ‘’puxadinho’’ do Palácio do Planalto. Lá está a ‘’tropa de choque’’ do Governo, disposta a, desprezando a lei, a mídia e a opinião pública, proteger os apaniguados do lulopetismo. Não foi assim no ‘’mensalão’’? Marcos Valério e os banqueiros, meros instrumentos dos crimes, foram duramente condenados e ainda cumprem pena em regime fechado. Quanto aos autores intelectuais e beneficiários da corrupção (José Dirceu, Genoíno, Delúbio), nem esquentaram seus traseiros na ‘’Papuda’’, lá ficando por menos de um ano. Para confirmar minha tese e desengano dos românticos, leio que ‘’Plenário do STF vai julgar validade de delações do doleiro Alberto Youssef’’. Adivinhem qual foi o Ministro que, depois de negar seguimento ao recurso de um dos réus, reconsiderou a decisão e acolheu o pedido? Ele mesmo, Dias Toffoli, o Ministro, reprovado em concurso de Juiz de primeiro grau, ele mesmo, o advogado do PT; ele mesmo, ‘’cria’’ de José Dirceu. Se o Supremo anular a delação premiada do doleiro, via de conseqüência, nulas serão todas as denuncias feitas por ele contra os envolvidos no ‘’petrolão’’, que, também por consequência, terão comutadas suas respectivas condenações. Por certo, anulada a delação de Youssef, as portas estarão escancaradas para que as demais delações, a qualquer pretexto, sejam anuladas e todos os ‘’petroleiros’’ possam continuar vivendo, felizes como sempre.

Eis porque afirmo que a ‘’lava jato’’ corre iminente risco de se transformar em tímido ‘’esguicho’’.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

José, o eterno

Quantos anos ele tem, é mistério que já abateu pesquisadores e historiadores, de todo o gênero. Alguns, identificam-no dentre os tripulantes da esquadra de Cabral, orientando-o quanto ao melhor local para ancorar nas costas brasileiras. Outros, localizam-no no governo de Duarte da Costa, de quem teria sido Ministro para assuntos de extração de madeira. Tem-se, como certo, que integrou a Regência Trina Provisória e teria sido influencia decisiva, junto a D. Pedro I, quando da Independência. Também há registros de seu nome, no Ministério de Pedro II, o que não o impediu de ser figura atuante no movimento que desaguou na Proclamação da República, tendo sido o ‘’Coordenador de Redação’’ da Carta Constitucional de 1891. Esteve atuante, no Governo de Artur Bernardes, o que não o impediu de ser dileto amigo de Rui Barbosa. Trabalhara, com denodo, na eleição de Julio Prestes, mas, quando Vargas amarrou seu cavalo, no obelisco, lá estava ele, no Rio, saudando a quem chamou ‘’o herói dos pampas’’. Em 1937, ajudou Francisco Campos a redigir ‘’a polaca’’, como ficou conhecida a Constituição do mesmo ano. Seu retrato pode ser visto, quando os pracinhas desembarcaram, no porto do Rio de Janeiro, vindo da Itália. Deve-se a ele – segundo abalizados historiadores – a lembrança do nome do Marechal Dutra, para governar o ‘’novo Brasil’’, que emergiu da segunda grande guerra. Foi amigo e conselheiro do Brigadeiro Eduardo Gomes, mas há registro de inúmeras visitas suas a Getulio, em seu exílio de São Borja, entre 1946 e 1950. Se não apoiou Getulio, também não foi seu desafeto e tinha entrada franca, no Palácio do Catete. Quando Getulio se matou, rendeu-lhe homenagens e, mesmo na oposição, foi ardoroso defensor de Brasília. Quando Jânio renunciou, manteve-se à prudente distância dos acontecimentos, voltando à cena, no final de abril de 1964, até porque foi acometido de forte gripe, que o deixou prostrado, por todo aquele mês. Mas, quando voltou, fê-lo ‘’cuspindo fogo’’, que os militares iriam recolocar o País nos trilhos, que liberdade, sim, mas com responsabilidade, etc, etc. Foi aliado de todas as horas, mas via, com simpatia, as manobras das ‘’esquerdas’’, sendo freqüentador dos jantares, promovidos por Ulisses e Montoro. Infelizmente, outra gripe impedio-o de ir ao comício das ‘’diretas já’’, mas mandou emissário cochichar no ouvido dos organizadores: ‘’estou com você e não abro.’’ Quando o Presidente Figueiredo avisou que não interferiria nas eleições indiretas, ele, corajosamente, bandeou-se para a oposição e saiu de vice de Tancredo e o resto da historia os contemporâneos a conhecem. Não participou do último pleito. Iria descansar de mais de 500 anos de exercício do poder. Mas, abro a revista, no ultimo final de semana e ei-lo, impávido e imorredouro colosso, ao lado de Lula, Renan e outros, reunidos no afã patriótico de salvar a pátria mãe gentil do caos. Lembrei Drummond: ‘’Você é duro, você não morre, José.’’

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O auxílio inesperado

Talvez fosse o julgamento de um dos meus mais importantes processos, não só por mais de 10 anos de luta, mas também – porque negar? – pela elevada soma envolvida. O julgamento, marcado para as 09:30 hs, fez-me, na véspera, lutar com o travesseiro. Às 06, café tomado, mas ainda de pijama, sentado no sofá da sala, via o dia surgir, neste magnífico inverno, gostosamente travestido de verão. Troco de roupa, lentamente, olhando o relógio a cada instante, a angústia, prima-irmã da incerteza, apertando-me o peito. O meu direito era bom e meu trabalho, enriquecido pelo mais saber de meu filho, não saberia fazê-lo melhor. Mas isto basta, para garantir a vitoria? Claro que não! E fui recordando situações análogas, em que forças misteriosas, em passe de mágica, conduziram-me da vitoria à derrota. Essas lembranças aumentaram minha angústia, quando cruzava a Praça João Mendes em direção ao Tribunal, no outro lado da rua. Dezenas de pessoas, como eu, aguardavam o semáforo abrir para pedestres. De repente, uma senhora, vinda não sei de onde, toca-me o ombro e, ao voltar-me, ela me entrega em pequeno folheto que, apressadamente, coloco no bolso, sem ler. De hábito, jogá-lo-ia na primeira lixeira, mas não o fiz. Cheguei ao Tribunal, cumpri as formalidades de sempre e sentei, aguardando a sessão começar. Em um gesto puramente mecânico, meto a mão no bolso e de lá sai o pequeno folheto. Leio seu conteúdo, uma, duas, três vezes. Sinto-me invadido por uma torrente, misto de alegria e confiança. Quando a sessão começou e meu processo foi chamado a julgamento, tinha certeza que venceria e aquela vitória eu a devia, não só a mim e a meu filho, mas, principalmente, a Deus que mandou um anjo, sob forma de mulher, entregar-me aquela mensagem – que reproduzo -, como a dizer-me que Ele estava a meu lado, naquele momento e eu nada tinha a temer.
‘’O socorro’’


Na nossa vida somos cercados de barreiras que tentam impedir que as vitórias cheguem em nossas mãos, porém por maior que seja esta barreira, use a arma mais poderosa que um homem tem que é a FÉ; para que, através de sua oração você encontre forças para pedir a Deus que o ajude nessa peleja. Hoje Deus quer abrir a tua visão para que você possa ver que, olhando para o alto ainda tem alguém para te socorrer. Esse alguém é Jesus! Que está presente em todos os lugares, que não tem limites quando quer abençoar quem é servo seu, que não se curva diante da batalha, antes porém entra na peleja para ganhar e te fazer vitorioso. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

A insensatez da vida

Fui encontrá-la, calmamente sentada no sofá, que ocupava toda a parede, defronte à porta principal, amamentando seu filho, recém-nascido. À distancia, podia-se imaginar uma quase criança – ela, chegando aos seus 15 anos – acalentando sua boneca. Mas era mãe e filho, no ato celestial da amamentação. Ao notar minha presença ela sorriu, com aquelas duas pequenas covas, que, ao sorrir, ornamentavam seu rosto, olhar e voz, quase murmúrio, de onde emanava paz, aquela vontade de ficar apenas olhando, como se contempla a estátua viva de um anjo, ou um próprio anjo vivo que surge para nos conduzir ao céu. Ela, sempre meiga, guardou o seio sagrado dentro da blusa, feita de tecido simples, pegou a criança nos braços e ma ofereceu, para que eu a acolhesse, o que fiz com carinho e cuidados. Pequena, como ela, cabelos pretos, como os dela. Acalentei-a, por poucos minutos e a depositei no berço, porque, na verdade, por mais absurdo que o fosse, tratava-se de visita profissional. Aquela sala era, na verdade, dependência de unidade prisional, onde aquela adolescente tímida, doce, encontrava-se recolhida, há quase um ano, quando, juntamente com o namorado de 17, matou e esquartejou a mãe do mesmo. Em seu interrogatório, perante o Juiz, narrou os fatos, em todos os seus detalhes e o fez com a mesma voz, quase sussurro, com que me cumprimenta, dizendo – ‘’olá, doutor, que bom que o senhor veio me ver!’’ Afeiçoei-me dela e acredito, firmemente, na defesa que construí: que ela, egressa de família fragilizada, transferiu o afeto, que não teve, para o namorado, que manipulou seu sentimento e sua vontade, induzindo-a a participar daquela barbárie. Independentemente de minha defesa, dentro de poucos dias, amparada na legislação do menor (ECA), ela será posta em liberdade. Sairá daquele centro de recolhimento, conduzindo seu bebê, nos braços. Irá para algum lugar, onde – espero e oro – deverá receber o apoio e o carinho, que lhe foi negado, para transmiti-lo ao filho que pôs no mundo.

Ao me despedir dela, dizendo-lhe ‘’tenha paciência, faltam poucos dias’’, ela toma minha mão, coloca-a entre as dela e, com o sorriso, que ainda, neste momento, vejo e sinto, me diz: - ‘’doutor, gostaria que o senhor fosse padrinho de meu filho!’’. Eu também sorrio, desprendendo minhas mãos e digo ‘’vamos ver!’’, beijo-lhe a face e saio, quase correndo. Ao entrar no carro, não posso me conter e choro, lágrimas incontidas, atônito, incapaz de entender o enredo desta trágica historia verdadeira.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Por um coração Botafoguense


Como hoje é sexta-feira, dia de amenidades, vou falar com o coração, já que falo do Botafogo, que completa 110 anos, dos quais, pelo menos 60, passei a seu lado. Foram muitos anos, alegrias e tristezas, mas, como dizia Vinicius, poeta botafoguense, ‘’um renovar de esperanças’’. Sempre! Lembro-me das tardes ensolaradas, ou das noites estreladas, ou das nuvens cinzentas, ou do frio pouco, ou do calor muito, todas elas vividas, intensamente, enquanto a Estrela Solitária percorria os gramados, eu, o grito parado na garganta, ou gritado a plenos pulmões. Casei, tive filhos, vieram os cabelos brancos, foram muitos deles, mudei três vezes de pouso, mas o Botafogo ficou, constante, em sua inconstância, paixão ardente que esmaece, mas jamais se extingue, como eu, tantas vezes inconstante, tantas vezes esmaecido, mas vivo, presente. Acho que, também, daí, dessa similitude, vem esse meu amor ao Glorioso. A ele e a mim soem acontecer sumidouros de depressão, dos quais irrompemos, eventualmente, para a euforia. O Botafogo às vezes se maltrata, como eu; o Botafogo é meio inconseqüente, como eu e, como eu, tem os pés esquecidos em Minas Gerais e, por isso, como eu, alterna o fervor com a indolência. Fernando Pessoa, com certeza, era Botafoguense e só por essa razão escreveu o seu ‘’Poema em Linha Reta’’. Dostoievski, com seus personagens alucinantes, sem dúvida, era Botafoguense, porque somente um Botafoguense poderia ser desvairado. Por isso já tivemos Amarildo, o Possesso, como já tivemos Nilton Santos, o doce Nilton, que tocava a e na bola como se regesse uma sinfonia Bachiana. Por isso tivemos Heleno de Freitas, que morreu louco em Barbacena, porque o Botafogo é, acima de tudo, loucura.

Era um sábado estranhamente paradoxal, de um maio de 1977. Minha alma alvinegra agitava-se: morrera Carlos Lacerda, meu guia intelectual, meu mentor político por quem eu vibrava, desde meus 13 anos. E, no mesmo dia, jogava o Botafogo, no Maracanã. Os mesmos olhos que se avermelharam diante do ídolo morto acenderam-se vendo os ídolos vivos percorrerem o gramado. Porque o Botafogo é isso: vida e morte ao mesmo tempo. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A demissão do governo Dilma

A FIESP e a FIRJAN, as duas maiores entidades empresariais do País, fizeram publicar, nos jornais e revistas do último fim-de-semana, matéria, em que manifestam seu apoio à proposta, formulada pelo Vice-Presidente da República, Michel Temer, de se promover uma união nacional, envolvendo empresários, trabalhadores e partidos políticos, com o objetivo de evitar o caos econômico e preservar a estabilidade institucional do Brasil. Por outro lado, o noticiário, também do último fim-de-semana, dá-nos conta de jantar, realizado na residência do senador Tasso Jereissati, com a presença de vários lideres políticos, inclusive do Presidente do Senado, Renan Calheiros e onde se debateu o meio, a ser adotado, para a retirada de Dilma da Presidência. Juntemos os dois fatos – a manifestação das Federações e o jantar – e chegaremos à conclusão óbvia: a vacância da Presidência da República está em final de gestação. Para os que passaram dos 60, a comparação é inevitável: qual a diferença entre o clima de hoje e o ‘’pré’’ 1964? Esse último, contou com a decisiva participação das Forças Armadas que, hoje, pelo menos por enquanto, resta silente. Jango, ao contrário de Dilma, contava com forte apoio político: o PTB de Brizola e parte do PSD de Abelardo Jurema. Em 1964, ao contrario dos dias atuais, a ‘’estabilidade institucional’’ não era prioridade, bastava, afastado o Presidente, dar ao novo governo algum contorno de legalidade e, para isso, bons juristas ofereceram seus serviços. E, estabelecidas as diferenças, o que torna os dois momentos históricos, irmãos siameses? É que, em ambos, a crise econômica jogava e joga a população contra o governo. Em 1964, uma oposição aguerrida, competente soube galvanizar a opinião pública que exigiu a deposição de Jango. Quem duvidar, que consulte os jornais da época. Hoje, ao contrario, a opinião pública, asfixiada por uma economia em frangalhos e por crise moral, sem precedentes, impulsiona uma oposição vacilante a buscar uma solução ‘’institucional’’, já que os tempos modernos não mais admitem ‘’golpe de estado.’’ As revistas e os jornais, de hoje, repetem as manchetes, de ontem, o que faz, a nós, encanecidos, viajar no tempo. São tempos diferentes, mas são tempos semelhantes. É a historia, que teima em se repetir, quando suas lições não são aprendidas.

A menos que, para desgraça geral, aconteça o que preconizei no meu escrito de ontem. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O governo arma cilada contra a população

Dilma e Lula convocaram reunião de emergência com Centrais Sindicais e Movimentos Sociais, para, amanha, 13. O pretexto é organizar a manifestação, a favor da Presidente, agendada para o próximo dia 20. Preocupa-me, todavia, se tal reunião não tem outro objetivo senão preparar um clima de confronto, em relação à manifestação do próximo domingo. Espero – e muito – estar enganado, mas, se não estiver, poderemos ter, nesse último encontro, embate físico, de imprevisíveis consequências. Dilma tem larga experiência terrorista, o mesmo acontecendo com Lula, idealizador de greves e piquetes. Ambos estão em suas respectivas UTI’s. A Presidente já não preside e o País, cavalo de rédeas soltas, galopa, sem rumo certo. Lula, a menos que seja nomeado Ministro de qualquer coisa, para usufruir das benesses do foro privilegiado, cairá nas mãos de Sergio Moro, o justiceiro. Então, a guerrilheira e o agitador sindical conceberam um plano diabólico: promovem, no próximo domingo, verdadeira guerra civil entre população e a milícia do governo e, assim, criam um clima para decretar “estado de exceção”, instalando a ditadura com que sempre sonharam.

Estejamos atentos!