terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Tão logo foi eleito Presidente da República, Lula fez o seguinte discurso na sessão de abertura da Organização das Nações Unidas:
“O Brasil é um país maior do que os menores e menor do que os maiores. É um país grande, porque, medida sua extensão, verifica-se que não é pequeno. Divide-se em três zonas climatéricas absolutamente distintas: a primeira, a segunda e a terceira. Sendo que a segunda fica entre a primeira, e a terceira. As montanhas são consideravelmente mais altas que as planícies, estando sempre acima do nível do mar. Há muitos diferenças entre as várias regiões geográficas do país mas a mais importante é a principal. Na agricultura faz-se exclusivamente o cultivo de produtos vegetais enquanto a pecuária especializa-se na criação do gado. A população é toda baseada no elemento humano sendo que as pessoas não nascidas no país, são, sem exceção, estrangeiras. Na indústria fabricam-se produtos industriais, sobretudo iguais e semelhantes, sem deixar-se de lado os diferentes. No campo da exploração dos minérios o país tem uma posição só inferior aos que lhe estão acima, sendo, porém, muito maior produtor do que todos os países que não atingiram o seu nível. Pode-se mesmo dizer que, excetuando-se seus concorrentes, é o único produtor de minérios no mundo inteiro. Tão privilegiada é hoje, enfim, a situação do país, que os cientistas procuram apenas descobrir o que não está descoberto, deixando para a indústria tudo que já foi aprovado como industrializável e para o comércio tudo que é vendável. Na arte também não há ciência, reservando-se essa atividade exclusivamente para os artistas. Quanto aos escritores são recrutados, geralmente, entre os intelectuais. É enfim, o País do Futuro, sendo que este se afasta a cada dia que passa.”

(texto original de Millôr Fernandes, jornalista, dramaturgo, cartunista, tradutor, enfim, um dos maiores gênios produzidos pelo Brasil).

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O aniversário do PT
Com todas as honras e méritos, o PT reuniu-se em Belo Horizonte, para comemorar seus 35 bens sucedidos anos. Lá estavam Lula e Dilma, mas o grande homenageado da noite foi o Sr. Vaccari, tesoureiro do partido e digno sucessor de Delúbio Soares. Juntos, os dois carrearam 500 milhões de dólares para o partido e “algum” para eles mesmos e para alguns “companheiros” mais graduados. Afinal, ninguém é de ferro. O Sr. Vaccari já tinha “gerido” um golpe na Cooperativa dos Bancários, deixando cerca de 200 mutuários a ver navios, menos Lula, é claro, que teve seu tríplex, no Guarujá acabado – com direito a elevador interno – por uma Construtora, coincidentemente envolvida na operação “lava jato”. Na festa de BH, Dilma e Lula apareciam sorridentes, cortando o bolo de aniversário. A alegria era justificável: afinal, foram 12 anos juntos, que eles representavam “o novo”, a romper com a desigualdade social. E romperam, em primeiro lugar, com a deles, petistas, que se enriqueceram às custas de falcatruas, de todo o gênero. E pensar que alguns, verdadeiramente poucos e honestos, embarcaram na onde petista e, agora, envergonhados, mudam de partido ou vão chorar em um canto!

Ah, ia me esquecendo: na foto, por trás de Dilma e Lula, aparece Haddad, que vai destruindo a cidade com suas inúteis ciclovias, noticiadas, pela Revista “Veja”, do último fim de semana, como o quilometro mais caro do mundo. Eta povinho, esse do PT, que gosta de uma maracutaia!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Por causa do meu aniversário
Em gesto de extremo cabotinismo, deixo a mim mesmo, quase ‘’in memoriam’’, este poema de Fernando Pessoa... No dia em que festejo (?) meu aniversário.

Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes,
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das
                                                                                         minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos
                                                                                                        dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com
                                                                                                   mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sobra debaixo
                                                                                                  do assado -,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

                                                                 15 de Outubro de 1929.
07 de fevereiro de 2015.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A eleição de Eduardo Cunha

Pergunta-me um amigo que, equivocamente, julga que eu entendo de política, se acho que a eleição de Eduardo Cunha para presidência da câmara foi boa para o Brasil. Primeiramente, retifico o equivoco. Sou de outra geração, onde os políticos tinham altivez e admiração popular, respondendo pelos nomes de Pedro Aleixo, Adauto Lucio Cardoso, Aliomar Baleeiros, Tancredo Neves, Abelardo Jurema, Carlos Lacerda, (o mais brilhante de todos), apenas para citar alguns. Mas, respondendo ao amigo digo que o resultado de domingo teria sido bom para o País, se os 3 Poderes fossem realmente independentes, tal qual está escrito em nossa Constituição. No entanto, como a “chave do cofre” está nas mãos do Executivo, na prática, é ele que manda, daí os dois outros Poderes serem meros coadjuvantes desta nossa tosca democracia. Em que País sério um Presidente demoraria seis meses para indicar o novo membro da Corte Suprema? Em que País sério, para se cumprir uma emenda orçamentária, proposta pelo legislativo, seria necessário que se “impusesse” tal obrigação ao Executivo? Eduardo Cunha tem o mérito de ser hábil negociador, resta saber o que ele vai negociar e aí, como se dizia em meu tempo, ‘’é que a porca torce o rabo.’’ Tenho lá minhas dúvidas – quase certeza – que os interesses do Brasil não serão prioridade nesse troca-troca. Coitado de São Francisco de Assis, tão puro, que se despojou de sua riqueza para viver na humildade e usam seu ‘’é dando que se recebe’’, para justificar as mais espúrias barganhas. Pois é exatamente isso que vai acontecer: ‘’da cá esse cargo que eu faço aprovar seu projeto’’. Eduardo Cunha, simpático, bom orador, a discursar de improviso preparado, com seu sotaque de Ipanema, é mestre na arte de barganhar e forma terrível dupla de ataque com Renan Calheiros, legitimo herdeiro de Sarney no dom de sobrevivência na selva, em qualquer selva. É claro que o Planalto saiu derrotado. Em lugar de simplesmente dar instruções ao petista Chinaglia, vai, sem intermediários, ouvir as exigências de Cunha. Dª Dilma nos lembra aquele personagem de Vitor Hugo que, preso na areia movediça, quanto mais se mexia, mais se afundava. Alguém aí, pelo bem do Brasil, para acelerar esse afundamento?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

As mulheres – Presidentes
A cotação das mulheres-governantes, nestas plagas latino-americanas, anda mais em baixa do que as ações da Petrobrás. Por aqui, Dª Dilma é o reverso do rei Midas, aquele que transformava em ouro tudo que tocava. Ela transforma em m..., até sua patética base aliada. Na Argentina, Cristina Kirchner, que mergulhara a Argentina na pior crise econômica de sua historia – falta até absorvente - que dilapidou a liberdade de imprensa, agora se envolveu no assassinato do Promotor Alberto Nisman. Tão logo surgiu a notícia da morte, Cristina gritou: ‘’foi suicídio!’’ Desmentida a hipótese, ela passou a utilizar a velha e desgastada tese petista de desmerecer o denunciante morto. Também não funcionou e o povo argentino, que possui alto nível de politização, foi às ruas exigindo                          a renuncia de Cristina. Agora, é a vez da Presidente do Chile, Michelle Bachelet que, como Dª Dilma, foi eleita pela minoria da população chilena. Pois ela está imprimindo uma reforma no ensino que, na prática, nivela as escolas particulares, que são ótimas, às públicas que, como cá, são de baixa qualidade. É o velho princípio do socialismo: se não podemos melhorar para todos, pioremos, igualmente, para todos. No plano econômico, a reforma tributária implantada vem desestimulando o investimento. Já vimos este filme antes, cujo ator principal chamava-se Salvador Allende e deu no que deu.
Por aqui, Marta Suplicy, - que disputa com Haddad o título de pior prefeito da Capital – saiu atirando em Dª Dilma, dizendo, aliás, o que já sabíamos: que é incompetente e desagregadora. Marta e Haddad disputam o apoio dos homossexuais de todo o gênero (a que ponto chegamos!). Ponto para Haddad: depois de criar o ‘’bolsa crack’’, revertendo milhões de reais para viciados comprarem a droga, agora cria o ‘’bolsa travesti’’, pela qual cada ‘’traveco’’ vai receber 840 reais por mês para estudar... Só não se sabe o que. E isto em uma cidade onde falta creche, as escolas públicas estão caindo aos pedaços, os professores – que ganham salário vil - apanham dos alunos e esses completam o 1º grau sem saber ler e escrever.

Os dois, Marta e Haddad, se merecem. Nós é que não os merecemos. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Qual o destino da Petrobrás?

A agencia de risco ‘’Mody’s’’ rebaixou todos os ‘’rastings’’ da Petrobrás, levando em consideração a ‘’petropropina’’ e o balanço divulgado que indica o não pagamento de dividendos a seus acionistas, fato inusitado em sua historia. Em linguagem futebolística, a empresa foi rebaixada para a segunda divisão e encontra serias dificuldades para se manter nela, já que a mesma agencia acena com a possibilidade de um ‘’rebaixamento adicional’’. O preço do barril de petróleo continua e continuará, segundo especialistas caindo, o que inviabiliza, economicamente, o pré-sal e a operação lava-jato tende a contaminar, ainda mais, a imagem da empresa, a partir deste mês entrante, quando aflorarão os nomes dos políticos, - fala-se em cerca de 150 - beneficiados com o desvio de dinheiro. Em entrevista dada à ‘’Veja’’, o Dr. Robert Luskin, considerado um dos maiores advogados criminalistas dos Estados Unidos, informa que ‘’a investigação sobre o petróleo, nos Estados Unidos, vai desvendar toda a extensão do esquema e até empresas que não atuam lá poderão ser alcançadas pelas pesadas punições                                                                                                               estabelecidas pela lei americana”. E sugere aquele advogado que a Petrobrás busque acordos financeiros, nas diversas ações que vai enfrentar, naquele País, lembrando que uma multinacional francesa foi multada em 772 milhões de dólares.

            Diante desse funesto quadro, emerge a pergunta: qual será o futuro do conglomerado Petrobrás? Inimaginável que o governo (mesmo este, de quem sempre se pode esperar o pior) pretenda transferir para a população, via aumento de combustível, o buraco, de profundidade não            mensurável, causado na Empresa, pela sandice de se perpetuar no poder. Teríamos o combustível a, no mínimo, 20 ou mais reais por litro, a jogar na estratosfera a inflação, o que nos faria reviver 1929. Alguns analistas sugerem ‘’fatiar’’ a Petrobrás, transferindo para conglomerados internacionais, a qualquer preço, as fatias podres. A pergunta que fica é se, em tempos bicudos como os em que vive o petróleo, encontrar-se-ão grupos interessados nessas ‘’fatias podres’’.  A verdade é que todos temos de nos preocupar com o problema. Não basta apontar o dedo para o (des)governo Dilma. É claro que Lula, Dilma e o nefasto PT são responsáveis pela hecatombe e devem ser severamente punidos por isso. Mas, como ficará a Petrobrás, seus milhares de funcionários e fornecedores? Uma primeira sugestão é que se forme uma comissão técnica, de incontestável competência e idoneidade, para encontrar uma saída, enquanto ainda é tempo... se é que ainda é tempo. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Maria de todos os Domingos
Eu tinha um texto escrito, a falar das mazelas da Petrobrás. Mas surgiu fato muito mais importante, testemunho que meu coração me manda dar.

Tenho o hábito – como milhares de outras pessoas – de, pela manhã de domingo, ir até a Igreja de São Judas Tadeu, render minha homenagem ao Santo, que ouve minhas súplicas e me ajuda seguir em frente. E sempre a encontrava ali, sentada em um canto da calçada, primeiro em um tosco banco, depois em uma cadeira de rodas. Quantos anos tinha, não sei, alguma coisa em torno de 90. Eu parava, dirigia-lhe algumas palavras, segurando-lhe as mãos murchas e deixava-lhe algum mimo, que ela agradecia, com tímido sorriso. Esse ritual durou anuais domingos. Em um deles – faz, mais ou menos, um ano – ela apareceu sem uma perna, amputada pela diabetes. Não mais sorria, quando eu a cumprimentava, apenas enchia os olhos de lagrimas, que deslizavam pelo seu rosto, quando eu a perguntava como ia. Como já fazia três semanas que eu não a encontrava, perguntei por ela ao segurança da Igreja. Morreu, disse-me ele. Senti um aperto no coração. Por certo, morrera com aquele olhar triste dos últimos tempos, deixando vazio aquele canto da calçada. Ah, ela se chamava Maria, apenas Maria, como Nossa Senhora. Depois, na missa, pensei em dedicar essa a ela. Bobagem! Ela já deve estar sentada, ao lado da mãe de Jesus e espero que, se eu merecer, ela dirija seu terno olhar e seu meigo sorriso para mim. Adeus, minha doce Maria, alegria e tristeza de minhas manhãs de domingo.