sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Por causa do meu aniversário
Em gesto de extremo cabotinismo, deixo a mim mesmo, quase ‘’in memoriam’’, este poema de Fernando Pessoa... No dia em que festejo (?) meu aniversário.

Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes,
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das
                                                                                         minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos
                                                                                                        dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na louça, com
                                                                                                   mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, frutas, o resto na sobra debaixo
                                                                                                  do assado -,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

                                                                 15 de Outubro de 1929.
07 de fevereiro de 2015.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A eleição de Eduardo Cunha

Pergunta-me um amigo que, equivocamente, julga que eu entendo de política, se acho que a eleição de Eduardo Cunha para presidência da câmara foi boa para o Brasil. Primeiramente, retifico o equivoco. Sou de outra geração, onde os políticos tinham altivez e admiração popular, respondendo pelos nomes de Pedro Aleixo, Adauto Lucio Cardoso, Aliomar Baleeiros, Tancredo Neves, Abelardo Jurema, Carlos Lacerda, (o mais brilhante de todos), apenas para citar alguns. Mas, respondendo ao amigo digo que o resultado de domingo teria sido bom para o País, se os 3 Poderes fossem realmente independentes, tal qual está escrito em nossa Constituição. No entanto, como a “chave do cofre” está nas mãos do Executivo, na prática, é ele que manda, daí os dois outros Poderes serem meros coadjuvantes desta nossa tosca democracia. Em que País sério um Presidente demoraria seis meses para indicar o novo membro da Corte Suprema? Em que País sério, para se cumprir uma emenda orçamentária, proposta pelo legislativo, seria necessário que se “impusesse” tal obrigação ao Executivo? Eduardo Cunha tem o mérito de ser hábil negociador, resta saber o que ele vai negociar e aí, como se dizia em meu tempo, ‘’é que a porca torce o rabo.’’ Tenho lá minhas dúvidas – quase certeza – que os interesses do Brasil não serão prioridade nesse troca-troca. Coitado de São Francisco de Assis, tão puro, que se despojou de sua riqueza para viver na humildade e usam seu ‘’é dando que se recebe’’, para justificar as mais espúrias barganhas. Pois é exatamente isso que vai acontecer: ‘’da cá esse cargo que eu faço aprovar seu projeto’’. Eduardo Cunha, simpático, bom orador, a discursar de improviso preparado, com seu sotaque de Ipanema, é mestre na arte de barganhar e forma terrível dupla de ataque com Renan Calheiros, legitimo herdeiro de Sarney no dom de sobrevivência na selva, em qualquer selva. É claro que o Planalto saiu derrotado. Em lugar de simplesmente dar instruções ao petista Chinaglia, vai, sem intermediários, ouvir as exigências de Cunha. Dª Dilma nos lembra aquele personagem de Vitor Hugo que, preso na areia movediça, quanto mais se mexia, mais se afundava. Alguém aí, pelo bem do Brasil, para acelerar esse afundamento?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

As mulheres – Presidentes
A cotação das mulheres-governantes, nestas plagas latino-americanas, anda mais em baixa do que as ações da Petrobrás. Por aqui, Dª Dilma é o reverso do rei Midas, aquele que transformava em ouro tudo que tocava. Ela transforma em m..., até sua patética base aliada. Na Argentina, Cristina Kirchner, que mergulhara a Argentina na pior crise econômica de sua historia – falta até absorvente - que dilapidou a liberdade de imprensa, agora se envolveu no assassinato do Promotor Alberto Nisman. Tão logo surgiu a notícia da morte, Cristina gritou: ‘’foi suicídio!’’ Desmentida a hipótese, ela passou a utilizar a velha e desgastada tese petista de desmerecer o denunciante morto. Também não funcionou e o povo argentino, que possui alto nível de politização, foi às ruas exigindo                          a renuncia de Cristina. Agora, é a vez da Presidente do Chile, Michelle Bachelet que, como Dª Dilma, foi eleita pela minoria da população chilena. Pois ela está imprimindo uma reforma no ensino que, na prática, nivela as escolas particulares, que são ótimas, às públicas que, como cá, são de baixa qualidade. É o velho princípio do socialismo: se não podemos melhorar para todos, pioremos, igualmente, para todos. No plano econômico, a reforma tributária implantada vem desestimulando o investimento. Já vimos este filme antes, cujo ator principal chamava-se Salvador Allende e deu no que deu.
Por aqui, Marta Suplicy, - que disputa com Haddad o título de pior prefeito da Capital – saiu atirando em Dª Dilma, dizendo, aliás, o que já sabíamos: que é incompetente e desagregadora. Marta e Haddad disputam o apoio dos homossexuais de todo o gênero (a que ponto chegamos!). Ponto para Haddad: depois de criar o ‘’bolsa crack’’, revertendo milhões de reais para viciados comprarem a droga, agora cria o ‘’bolsa travesti’’, pela qual cada ‘’traveco’’ vai receber 840 reais por mês para estudar... Só não se sabe o que. E isto em uma cidade onde falta creche, as escolas públicas estão caindo aos pedaços, os professores – que ganham salário vil - apanham dos alunos e esses completam o 1º grau sem saber ler e escrever.

Os dois, Marta e Haddad, se merecem. Nós é que não os merecemos. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Qual o destino da Petrobrás?

A agencia de risco ‘’Mody’s’’ rebaixou todos os ‘’rastings’’ da Petrobrás, levando em consideração a ‘’petropropina’’ e o balanço divulgado que indica o não pagamento de dividendos a seus acionistas, fato inusitado em sua historia. Em linguagem futebolística, a empresa foi rebaixada para a segunda divisão e encontra serias dificuldades para se manter nela, já que a mesma agencia acena com a possibilidade de um ‘’rebaixamento adicional’’. O preço do barril de petróleo continua e continuará, segundo especialistas caindo, o que inviabiliza, economicamente, o pré-sal e a operação lava-jato tende a contaminar, ainda mais, a imagem da empresa, a partir deste mês entrante, quando aflorarão os nomes dos políticos, - fala-se em cerca de 150 - beneficiados com o desvio de dinheiro. Em entrevista dada à ‘’Veja’’, o Dr. Robert Luskin, considerado um dos maiores advogados criminalistas dos Estados Unidos, informa que ‘’a investigação sobre o petróleo, nos Estados Unidos, vai desvendar toda a extensão do esquema e até empresas que não atuam lá poderão ser alcançadas pelas pesadas punições                                                                                                               estabelecidas pela lei americana”. E sugere aquele advogado que a Petrobrás busque acordos financeiros, nas diversas ações que vai enfrentar, naquele País, lembrando que uma multinacional francesa foi multada em 772 milhões de dólares.

            Diante desse funesto quadro, emerge a pergunta: qual será o futuro do conglomerado Petrobrás? Inimaginável que o governo (mesmo este, de quem sempre se pode esperar o pior) pretenda transferir para a população, via aumento de combustível, o buraco, de profundidade não            mensurável, causado na Empresa, pela sandice de se perpetuar no poder. Teríamos o combustível a, no mínimo, 20 ou mais reais por litro, a jogar na estratosfera a inflação, o que nos faria reviver 1929. Alguns analistas sugerem ‘’fatiar’’ a Petrobrás, transferindo para conglomerados internacionais, a qualquer preço, as fatias podres. A pergunta que fica é se, em tempos bicudos como os em que vive o petróleo, encontrar-se-ão grupos interessados nessas ‘’fatias podres’’.  A verdade é que todos temos de nos preocupar com o problema. Não basta apontar o dedo para o (des)governo Dilma. É claro que Lula, Dilma e o nefasto PT são responsáveis pela hecatombe e devem ser severamente punidos por isso. Mas, como ficará a Petrobrás, seus milhares de funcionários e fornecedores? Uma primeira sugestão é que se forme uma comissão técnica, de incontestável competência e idoneidade, para encontrar uma saída, enquanto ainda é tempo... se é que ainda é tempo. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Maria de todos os Domingos
Eu tinha um texto escrito, a falar das mazelas da Petrobrás. Mas surgiu fato muito mais importante, testemunho que meu coração me manda dar.

Tenho o hábito – como milhares de outras pessoas – de, pela manhã de domingo, ir até a Igreja de São Judas Tadeu, render minha homenagem ao Santo, que ouve minhas súplicas e me ajuda seguir em frente. E sempre a encontrava ali, sentada em um canto da calçada, primeiro em um tosco banco, depois em uma cadeira de rodas. Quantos anos tinha, não sei, alguma coisa em torno de 90. Eu parava, dirigia-lhe algumas palavras, segurando-lhe as mãos murchas e deixava-lhe algum mimo, que ela agradecia, com tímido sorriso. Esse ritual durou anuais domingos. Em um deles – faz, mais ou menos, um ano – ela apareceu sem uma perna, amputada pela diabetes. Não mais sorria, quando eu a cumprimentava, apenas enchia os olhos de lagrimas, que deslizavam pelo seu rosto, quando eu a perguntava como ia. Como já fazia três semanas que eu não a encontrava, perguntei por ela ao segurança da Igreja. Morreu, disse-me ele. Senti um aperto no coração. Por certo, morrera com aquele olhar triste dos últimos tempos, deixando vazio aquele canto da calçada. Ah, ela se chamava Maria, apenas Maria, como Nossa Senhora. Depois, na missa, pensei em dedicar essa a ela. Bobagem! Ela já deve estar sentada, ao lado da mãe de Jesus e espero que, se eu merecer, ela dirija seu terno olhar e seu meigo sorriso para mim. Adeus, minha doce Maria, alegria e tristeza de minhas manhãs de domingo. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Um encontro para lembrar
Almoço com querido amigo, brilhante e bem sucedido advogado, que tem lá suas simpatias pela Dª Dilma e que me honra, acompanhando-me nestas mal traçadas. Pergunta-me ele o porquê do meu pessimismo, em relação ao presente do Brasil. Ia eu repetir a lenga-lenga de sempre, os juros estratosféricos, a inibir os investimentos e estimular a especulação; a inflação, cujo índice real e crescente é muito maior do que o oficialmente divulgado; a crise energética, a comprometer a produção; a gastança oficial, que transfere para o contribuinte a irresponsabilidade administrativa e a corrupção desenfreada, muito acima do limite suportável. O que dizer de um país que permite cortar a luz e água de suas embaixadas, por falta de pagamento? Consta, inclusive, que Dª Dilma não foi a Davos, porque teve receio dos credores que, à porta do hotel, esperavam-na para cobrar contas vencidas. O Brasil está no Serasa e no SPC dos organismos internacionais. Todavia, em respeito ao amigo, que me convidara para conhecer seu novo escritório (sóbrio e elegante como ele) e, depois, almoçar, eu, sabedor do alinhamento dele com Dª Dilma, seria, no mínimo, deselegante, recitando estas diatribes todas. Preferi levar a conversa para amenidades, falar das vantagens que a tecnologia trouxe para nossa profissão etc. Saímos do restaurante e buscamos caminhos opostos, eu matutando como pessoa tão culta, bem informada, de induvidosa respeitabilidade podia se afinar com um governo que é exatamente o contrário de tudo isto! Vou convidá-lo a voltar a almoçar comigo, primeiro pela honra de sua companhia, depois para tentar desvendar esse mistério. Tenho uma leve desconfiança de que sei o porquê. Meu amigo não bebe, a não ser coca-cola e assim mesmo “diet”. Meu amigo – fidelíssimo -, nem por um mísero segundo desviou o olhar para várias coxas torneadas, a nosso redor. Meu amigo não fuma. Ora, algum vício – e grave – ele havia de ter. E este vício, repulsivo, é admirar a megera:
Errata: no meu texto de ontem, onde saiu “declaração de idoneidade”, leia-se “declaração de inidoneidade”.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Um palpite infeliz

No discurso de abertura da primeira reunião ministerial de seu novo mandato, a Presidente Dilma teve a desfaçatez de afirmar que a operação “lava jato” não pode levar à ruína as empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, porque isto prejudicaria a economia brasileira. Com esse inoportuno pronunciamento a Presidente, além de estuprar a legislação que disciplina os contratos firmados entre particulares e a Administração Pública, praticamente isentou de responsabilidade as empresas envolvidas, na petropropina. A legislação, no caso, a lei 8666/93 é absolutamente clara ao prever, para tais empresas, a penalidade administrativa definida como “declaração de idoneidade”, o que as proíbe de contratar com a Administração Pública por lapso de tempo não inferior a um ano. Por outro lado, é principio assente em nosso ordenamento jurídico que o preponente – no caso, as empresas – responde pelos atos de seu preposto – no caso, o executivo envolvido na maracutaia. Somente a ignorância ou a prepotência, ou ambas podem justificar o inoportuno pronunciamento da Presidência. Para a ignorância tem remédio: basta que ela consulte a Advocacia Geral da União, já para a prepotência não há solução, é marca registrada de Dª Dilma e de seu tenebroso partido. Colocam-se acima do bem e (principalmente) do mal, achando que tudo podem. O “mensalão” já mostrou, mesmo timidamente, que não é bem assim. Conseguirão a Presidente e seus asseclas petistas sobreviver a este iceberg de corrupção que, até agora, mostrou apenas sua menor parte?