quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Pelo “dia do professor”
Impossível não dizer alguma coisa sobre o “Dia do Professor”, que se comemora hoje, até porque, em priscas eras, por quase uma década, fui um deles. Sempre julguei interessante essa abismal diferença entre o respeito, que se tem pelo titulo “professor” e a contra-partida financeira oferecida, de vulgar expressão. Apresentar-se como “professor”, envolve a pessoa numa “aura”, tratando-a como ser superior, mas, na hora de remunerá-lo, ele é tratado como representante subalterno da sociedade, raciocínio válido, tanto para quem leciona em escola pública, quanto em escola particular. Lembro-me de que, trabalhando em estabelecimento de ensino, voltado para a classe média, dava 100 (cem) aulas por mês e o salário mal permitia pagar a faculdade e o aluguel. Sempre ouvi – e continuo ouvindo, nos debates dos presidenciáveis – que a educação é fundamental, para o desenvolvimento do País. É claro que é, mas, além de informatizar a sala de aula, é imprescindível pagar salário decente ao professor que, por mais surpreendente que possa ser, precisa comer, vestir, morar e até se divertir. Tempos atrás, mas não tão distante assim, fui convidado a lecionar em uma dessas Faculdades de Direito, que pululam pela “grande São Paulo”. Achei que seria interessante aprender a conviver com os jovens, transmitindo-lhes o meu saber pouco e minha experiência muita. Todavia, ao ser informado da remuneração, contrastada com a responsabilidade, “arrepiei carreira”. A produção cientifica, no Brasil é pífia e nossas escolas perdem, de goleada, para escolas, até de países mais pobres. É absolutamente normal o estudante concluir o primeiro grau, sem ser capaz de escrever um “ditado” de poucas linhas, sem cometer incontáveis erros. Cobra-se mais empenho dos professores, mais atualização, discutem-se novas metodologias de ensino, mas a remuneração justa, por trabalho tão relevante, nunca é considerado.

De qualquer maneira, lembro a data e reverencio três professores, os quais, em diferentes etapas, foram essenciais a minha formação intelectual: Rui Campos, professor de Português, no curso ginasial; Candido de Oliveira, professor de Literatura, no curso clássico e Washington de Barros Monteiro, professor de Direito Civil, na faculdade de Direito. A eles, minha eterna gratidão e minhas preces e, através deles reverencio todos os professores do Brasil.   

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Prezado Saul: não quis ser mordaz nem irônico quando falei que você está na direita. Você usa um artifício dos que habitam esse castelo em ruínas, a direita, quando afirma que ela e a esquerda acabaram. Isso é só para encobrir o que os governos da sua troupe fizeram do mundo, incluindo o Hitler que você tanto elogiava e agora condena. O que acho mais grave: por minha própria convicção e até do meu líder maior (Lula, para seu horror) não sou de esquerda, apenas tenho uma visão social diferenciada da sua. Tenho profundo horror ao comunismo leninista ou stalinista, que tantos assassinatos perpetraram ao longo do século. Você, por mais que isso me doa dizer, afirma que não existe esquerda ou direita, mas conserva um pensamento direitista e flutuante: foi para Marina quando ela teve a bolha que se desmanchou e, mesmo tendo afirmado não gostar de Aécio, está com ele não por programas do candidato, mas pelo ódio ao PT. Essa é uma prática da velha direita senhorial, a mesma que torturou e matou no pós-64 e que você tanto admira. Não vou responder às questões de Dilma pelos absurdos nque elas são propostas e por saber q
Saul: disparei acidentalmente, sem terminar, a mensagem. Segue o restante:
Não vou responder as questões de Dilma, por entender que elas são absurdas e que você odeia a presidente pelo que chama de terrorismo dela. Claro, jamais você vai sequer admitir o terrorismo de estado que vitimou tantos jovens, estado que derrubou pela força um governo eleito pelas urnas, sob a desculpa, depois desmentida, de que o Brasil cairia nas mãos dos comunistas. Veja bem: na questão israelense, nossas opiniões convergem e como você afirma, não por anti-semitismo. Entendo que Israel pratica hoje as mesmas crueldades dos nazistas. Quanto ao seu Aécio e a minha Dilma, espero explicações sobre as mesmas corrupções que vocês assacam à presidente e que em Minas foram praticadas, desde o mensalão mineiro, que aconteceu antes do mensalão do PT: abomino os dois e para eles quero explicações. O do PT já foi punido, pois com Lula e Dilma a sujeira jamais foi para debaixo do tapete, como nos belos tempos de FHC e do engavetador geram da república, sem falar de Paulo Preto e outros que tais. Quanto a Maluf e Collor, o que obriga o governo a apoiá-los é o cruel sistema republicano de política, que atrela o presidente aos partidos e aos políticos de qualquer qualidade. Vou encerrar dizendo: não me envergonharia de ser de esquerda, mas nunca fui. A referência à papai foi até covardia, pois não tive convívio político com ele, que se foi quando eu ainda não completara 14 anos: ele morreu em 9 de março e meu aniversário, tristíssimo aniversário, foi em 12 de março.
Saudações afetuosas e, ganhe quem ganhar, sou seu maior admirador. Ramiro

Resposta a um irmão (petista) indignado
Ramiro,
Como sou democrata e procuro, na medida do possível, ser intimo da verdade, publico sua carta, onde você dispara sua metralhadora contra mim, até me chamando de nazista, pode? Acho que você está levando longe demais esta nossa porfia, até porque, “a virtude está no meio”, coisa que o petismo desconhece. O que “os governos de minha troupe” trouxeram para o mundo foi o desenvolvimento científico, tecnológico, social e, principalmente o primado da liberdade. Afinal, não foram os Estados Unidos que salvaram o mundo do avanço de Hitler? Você, como porta voz empedernido do PT, coloca em duvida a delação premiada de Paulo Roberto e do doleiro Youssef, quando, na verdade, disseram eles o que todo mundo já sabia: que a Petrobrás foi utilizada como canal de escape da grana que custeou a campanha da Dilma. Não vou voltar a falar da Refinaria de Pasadena, apenas estranho que tudo tenha acontecido debaixo dos olhos dela e ela não tenha sabido de nada. Ou era conivente ou muito ruim de gestão. Apenas lhe pedi que me explicasse o que entende por direita e esquerda e você sai a atacar o PSDB e Aécio, como se eu tivesse alguma coisa com isto. Já lhe disse: não sou o aliado do partido de FHC e, quanto ao Aécio, surge ele como única alternativa para liquidarmos com o seu PT. Desconheço os méritos pessoais dele, mas sei ser ele capaz de montar uma boa e honesta equipe, ao contrario de seu povo. Conheci, com alguma intimidade, o Anastásia, à época em que era ele Secretário Executivo do Ministro do Trabalho, Francisco Dorneles. Pessoa absurdamente séria e competente, méritos que o levaram ao governo de nosso Estado e que, sem duvida, será um dos ancoras do governo Aécio. Então seu “líder maior” é o Lula? Puxa vida, que decepção contemplar pessoa tão inteligente, tão culta, tão firme em suas ações, ter líder tão medíocre. Mas, pensando bem, vocês não tem ninguém muito melhor. Pois meu mentor político, nascido no passado, mas vivo no presente, chama-se Carlos Lacerda, o maior, mais competente, mais integro político, que este pobre País conheceu. Agora, para terminar, quero cumprimentá-lo pela vitoria de seu “companheiro“, Evo Morales, eleito, pela terceira vez, com  o patrocínio do cartel da cocaína, Presidente da Bolívia. Antes, apenas por cautela, subjugou o Poder Judiciário daquele País que, estuprando a Constituição, permitiu-lhe concorrer a um terceiro mandato. Nenhuma novidade, porque o Chávez fez a mesma coisa. Depois, tratou de prender ou expulsar da Bolívia seus mais temíveis adversários. Dª Dilma deve andar triste, porque Morales dedicou a vitoria a Chávez e a Fidel e se esqueceu dela e de seu querido Lula, ambos a abastecerem o cofre do boliviano. Quanto a nosso pai, a referencia que fiz, foi pelo fato de ter sido ele um dos “caciques” locais do velho PSD e amigo pessoal do Benedito Valadares. Também era eu muito jovem (pode crer, já o fui) e me lembro daquele político se hospedando na casa ao lado, do “Tenente” e nosso pai ia a  reuniões com ele. Já morando em São Paulo, entusiasta pelo Jânio, de férias, fui participar de um programa na “Rádio Teófilo Otoni”, fazendo pregação janista, levado que fui pelas mãos de Pedro de Paula Otoni, Presidente da UDN local. Quando cheguei em casa, ainda entusiasmado, nosso pai me esperava com minha passagem de volta na mãos, que, se eu quisesse fazer propaganda para a UDN, que voltasse para São Paulo. Não tive o privilegio de conviver, intimamente, com ele, como você e imaginei que você tivesse bebido, com intensidade, na sabedoria tancredista dele.
Qualquer que seja o eleito (e já tenho certeza da vitoria do Aécio), convido-o para reafirmarmos nossa amizade, ao pé de uma cerveja gelada, aqui ou aí.
Sempre, fraternalmente,
Saul
Em tempo: só para contrariá-lo, retransmito-lhe artigo de importante historiador contemporâneo, que me foi enviado por outro “direitista de minha troupe”. Se você quiser conhecê-lo (o historiador, não o “direitista”), ligue, toda segunda feira, no “Jornal da Cultura”.
PUBLICADO NO JORNAL O GLOBO 
MARCO ANTONIO VILLA
Estamos vivendo um momento histórico. A eleição presidencial de 2014 decidirá a sorte do Brasil por 12 anos. Como é sabido, o projeto petista é se perpetuar no poder. Segundo imaginam os marginais do poder — feliz expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello quando do julgamento do mensalão —, a vitória de Dilma Rousseff abrirá caminho para que Lula volte em 2018 e, claro, com a perspectiva de permanecer por mais 8 anos no poder. Em um eventual segundo governo Dilma, o presidente de fato será Lula. Esperto como é, o nosso Pedro Malasartes da política vai preparar o terreno para voltar, como um Dom Sebastião do século XXI, mesmo que parecendo mais um personagem de samba-enredo ao estilo daquele imortalizado por Sérgio Porto.
Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista perdeu oito deputados na Assembleia Legislativa e seis na Câmara dos Deputados.
A resistência e a recuperação de Aécio Neves foram épicas. Em certo momento da campanha, parecia que o jogo eleitoral estava decidido. Marina Silva tinha disparado e venceria — segundo as malfadadas pesquisas. Ele manteve a calma até quando um dos seus coordenadores de campanha estava querendo saltar para o barco da ex-senadora. E, neste instante, a ação das lideranças paulistas do PSDB foi decisiva. Geraldo Alckmin poderia ter lavado as mãos e fritado Aécio. Mas não o fez, assim como José Serra, o senador mais votado do país com 11 milhões de votos. Foi em São Paulo que começou a reação democrática que o levou ao segundo turno com uma vitória consagradora no estado onde nasceu o PT.
Esta campanha eleitoral tem desafiado os analistas. As interpretações tradicionais foram desmoralizadas. A determinação econômica — tal qual como no marxismo — acabou não se sustentando. É recorrente a referência à campanha americana de 1992 de Bill Clinton e a expressão “é a economia, estúpido”. Com a economia crescendo próximo a zero, como explicar que Dilma liderou a votação no primeiro turno? Se as alianças regionais são indispensáveis, como explicar a votação de Marina? E o tal efeito bumerangue quando um candidato ataca o outro e acaba caindo nas intenções de voto? Como explicar que Dilma caluniou Marina durante três semanas, destruiu a adversária e obteve um crescimento nas pesquisas?
Se Lula é o réu oculto do mensalão, o que dizer do doleiro petista Alberto Youssef? Imagine o leitor quando o depoimento — já aceito pela Justiça Federal — for divulgado ou vazar? De acordo com o ministro Teori Zavascki, o envolvimento de altas figuras da República faz com que o processo tenha de ir para o STF. E, basta lembrar, segundo o doleiro, que só ele lavou R$ 1 bilhão de corrupção da Refinaria Abreu e Lima. Basta supor o que foi desviado da Petrobras, de outras empresas e bancos estatais e dos ministérios para entender o significado dos 12 anos de petismo no poder. É o maior saque de recursos públicos da História do Brasil.
Nesta conjuntura, Aécio tem de estar preparado para um enorme bombardeio de calúnias que irá receber. Marina Silva aprendeu na prática o que é o PT. Em uma quinzena foi alvo de um volume nunca visto de mentiras numa campanha presidencial que acabou destruindo a sua candidatura. Não soube responder porque, apesar de ter saído do PT, o PT ainda não tinha saído dela. Ingenuamente, imaginou que tudo aquilo poderia ser resolvido biblicamente, simplesmente virando a face para outra agressão. Constatou que o PT tem como princípio destruir reputações. E ela foi mais uma vítima desta terrível máquina.
O arsenal petista de dossiês contra Aécio já está pronto. Os aloprados não têm princípios, simplesmente cumprem ordens. Sabem que não sobrevivem longe da máquina de Estado. Contarão com o apoio entusiástico de artistas, intelectuais e jornalistas. Todos eles fracassados e que imputam sua insignificância a uma conspiração das elites. E são milhares espalhados por todo o Brasil.
Teremos o mais violento segundo turno de uma eleição presidencial. O que Marina sofreu, Aécio sofrerá em dobro. Basta sinalizar que ameaça o projeto criminoso de poder do petismo. O senador tucano vai encontrar pelo caminho várias armadilhas. A maior delas é no campo econômico. O governo do PT gestou uma grave crise. Dilma foi a terceira pior presidente da história do Brasil republicano em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto — que teve no seu triênio presidencial duas guerras civis — e Fernando Collor — que recebeu a verdadeira herança maldita: uma inflação anual de quatro dígitos. O PT deve imputar a Aécio uma agenda econômica impopular que enfrente radicalmente as mazelas criadas pelo petismo. Daí a necessidade imperiosa de o candidato oposicionista deixar claro — muito claro — que quem fala sobre como será o seu governo é ele — somente ele.
Aécio Neves tem todas as condições para vencer a eleição mais difícil da nossa história. Se Tancredo Neves foi o instrumento para que o Brasil se livrasse de 21 anos de arbítrio, o neto poderá ser aquele que livrará o país do projeto criminoso de poder representado pelo PT. E poderemos, finalmente, virar esta triste página da nossa história.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Uma história (verdadeira) de superação
Ao lado do prédio, onde funciona meu escritório, localiza-se uma “clinica de massagem”, eufemismo que se usa para... vocês sabem o quê. O manobrista, acima de tudo, é perfeito relações públicas: oferece balas às crianças, que passam acompanhadas de sua mães; ajuda os velhos a atravessarem a avenida, carregando-lhes suas compras. Ficamos amigos. Um dia, precisou ele de meus serviços – regularização de documentos – e eu o atendi, graciosamente, tantas as gentilezas que ele me faz, estacionando o carro de meus clientes. De outra feita, pediu-me para atender parente da recepcionista do “estabelecimento”. Essas coisas de casamento mal terminado. Resolvido o problema, fui presenteado com um litro de uísque, apreciador do liquido que sou. Algum tempo depois, perguntou-me ele, meio constrangido, se eu atenderia uma das “massagistas” da casa. Dia e hora marcados, recebo – chamêmo-la por nome fantasia – Milena. Loura, olhos claros, nem alta, nem baixa. Como ainda não estava “produzida” para a jornada, que começaria logo mais, não pude avaliar se era ou não bonita. Parêntesis para informar que a casa começa a funcionar às 02 da tarde e vai até às 10 da noite, mas o movimento atinge seu ápice ao cair da tarde, quando carros de alto luxo inundam o estacionamento. A freqüência é essencialmente de “orientais”. (Uso esse termo, porque jamais consegui fazer a distinção entre japonês, coreano e chinês). Mas, voltemos a Milena. Não tinha nenhuma questão jurídica, a resolver. Primeiro, falou um pouco de sua vida. Era do interior, onde deixara uma filha, fruto de aventura, ou melhor, desventura amorosa e viera tentar a vida, em São Paulo. A mesma história de sempre: sem qualquer qualificação profissional, só sub-emprego, cujo salário não dava para se manter e ainda ajudar na mantença da filha. Daí a se transformar em “garota de programa” foi um pulo. Tinha 19 anos então, mas a cabeça boa, sabia que aquela vida não poderia ser para sempre. Fez vestibular e, sem muito esforço, formou-se em Direito. Como tinha razoável poupança, deu um tempo em sua atividade e foi trabalhar em escritório de advocacia. Salário pouco, mas ganhou alguma experiência. De quando em vez, ainda fazia algum “programa”, para reforçar o caixa, cuja poupança se esvaía. Dois anos depois, concluiu que a advocacia não lhe traria grande futuro, as despesas da filha crescendo e muito mais a vontade de tê-la junto a si. Resolveu, então, fazer concurso para carreira jurídica (que, por óbvio, não vou dizer qual). Largou o escritório e arranjou emprego, aqui ao lado: garantia a renda, de que necessitava e lhe sobrava tempo – o período da manhã – para se preparar para o tal concurso. Estudava todos os dias, das 06 às 11 horas, mas sentia que andava em circulo, o estudo não rendia, por isso queria conversar comigo, até porque o advogado, com quem trabalhara, desconhecia essa sua outra, digamos, atividade. Sugeri-lhe que fizesse um cursinho e até indiquei um, além de uma forma mais organizada de estudar: não mais que dois livros, por assunto e relacionei alguns. “Milena” se foi e eu me esqueci do assunto. Essa conversa foi no começo do ano. Sexta feira, saio do escritório e sou abordado pelo amigo, manobrista do estabelecimento. Entrega-me um pacote, embrulhado para presente. Abro-o: um uísque de muitos anos, com um cartão: “Obrigada por seus conselhos. Passei, tomo posse na próxima semana, abraços, Milena.” Pensei comigo: será excelente profissional, porque, além de determinada, conheceu, nas agruras da vida, a miserável condição humana. E, sem saber porque, adaptei o cancioneiro popular: “qualquer dia, qualquer hora, a gente se vê, Milena, seja onde for.” E, nesse dia, eu, com toda a reverencia e, provavelmente, com emoção, a chamarei de “Excelência.”


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ramiro,
Você, irado, rotula-me, com ironia mordaz, de “ser de direita”, rotulação anacrônica, bem ao estilo do PT, pois a dicotomia esquerda / direita se esvaiu com a derrubada do muro de Berlim, em 1989. O mundo andou e vocês, petistas, tão absorvidos com a auto-missão de salvar o País, não perceberam. Você ter se tornado petista, já é aberração, filho de quem é, com a educação que teve. Vá lá, que um pouco de excentricidade até tem um certo charme, mas falar de esquerda / direita, nos dias atuais, é destampar o sarcófago. De direita, eu? Sou apenas modesto advogado que, tantos fevereiros decorridos, ainda trabalha para pagar as contas, que vai à missa aos domingos (porque, sem a proteção do Cristo crucificado, fica impossível seguir em frente), que repudia qualquer tipo de discriminação, que apesar de trabalhar desde os 14 anos e ter ocupado alguns relevantes cargos público, tem o modesto patrimônio que você conhece. Sou a favor da Palestina contra Israel, não por anti-semitismo, mas porque entendo que Israel desenvolve a mesma política expansionista, desenvolvida por Hitler e que deu no que deu. Acho Cuba, Venezuela, Bolívia, diletos amigos do PT, o lixo do lixo. Onde fica a “direita” em tudo isso? A França, a outrora “mãe espiritual do mundo latino”, como dizia Almeida Garrett, elegeu um presidente, dito de esquerda, que desfruta do mais baixo índice de popularidade da historia daquele País. O que é ser de esquerda? É ser a favor da demarcação das terras indígenas, tiradas de agricultores pobres e entregá-las a um bando de vagabundos, que as arrendam para garimpos clandestinos? Dilma é de esquerda? Então como você a explica, aos beijos e abraços com Maluf e Collor? Ou serão esses também de esquerda? Lula que, mesmo sem trabalhar, desde os anos 80, mas, mesmo assim, construiu vasto patrimônio, é de esquerda? O PT, o seu PT, que lutou para inviabilizar o plano real, que está envolvido em todos os escândalos dos últimos 12 anos, é de esquerda? Maduro, este imbecil que está destruindo o País mais rico do continente, é de esquerda? Essa Cristina, que sufoca a liberdade de imprensa, na Argentina, é de esquerda? O relógio informa que são quase 08 horas da noite e o direitista que vos fala, que aqui chegou às 08 da matina, que não teve tempo para almoçar, lê, na internet, que os Estados Unidos, eles, os usurpadores, monopolizam o seu “Centro de Prevenção de Doenças” para impedir que o ebola se transforme em uma nova AIDS. Os Estados Unidos, eles, os usurpadores, vêem seus filhos morrerem, mundo afora, em nome dessa coisa etérea, chamada liberdade, enquanto Dilma, a sua Dilma, de sua esquerda, prega o dialogo com os psicopatas do Estado Islâmico. Quem está certo?
Vou para casa, brincar com meus cachorros – agora, são oito. Mas encerro, queridíssimo, suplicando-lhe que me explique, didaticamente, como se eu ainda estivesse no “Grupo Escolar Teófilo Otoni”, submisso aos beliscões de Dª Lúcia ou às reguadas de Dª Piedade, explique-me o que é ser  “de direita” e de “esquerda”.

Creia-me, acima das divergências ideológicas, seu amigo e admirador.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pérolas do dia
1-    A “REDE” de Marina, como não poderia deixar de ser, manifestou seu apoio a Aécio. Marina rouca, provavelmente de tanto ouvir, manteve-se em silencio e promete falar hoje. Por questão de coerência, também deve apoiar Aécio, já que defende mudanças e foi, inescrupulosamente, atacada por Dilma, no primeiro turno.
2-    Paulo Roberto, o ex-Diretor da Petrobrás, depondo em juízo, confirmou que o esquema de corrupção, que sangrou em bilhões os cofres da Empresa, financiou, em 2010 (e, com certeza, em 2014) a campanha do PT e dos partidos da base aliada à Presidente Dilma, que, seguindo o manual, vai declarar que de nada sabia. Se vivêssemos em um País, minimamente civilizado, tal revelação seria motivo suficiente para se decretar o impedimento da Presidente. Quem será o “político que liderava o esquema?” Para azedar a vida de Dª Dilma, a Policia Federal apreendeu 116 mil reais e vários petistas, em um jatinho. Segundo a noticia, a grana estava de posse de um empresário que teria pago o aluguel de uma casa, em Brasília, onde funcionou um núcleo da campanha da Presidente Dilma que, é claro, de nada sabia. Os petistas, carregando o dinheiro, são ligados a Fernando Pimentel, governador eleito de Minas, e o jatinho fazia o percurso Belo Horizonte – Brasília. Interessante não?
3-    Não constitui nenhuma novidade, mas todas as vezes que emerge um escândalo, como este da Petrobras, há sempre uma grande Construtora, em especial, a “Camargo Correa” envolvida. Infelizmente, assim se formam as grandes fortunas.

4-    O Ministério da Saúde tem a obrigação de, com todas as letras, esclarecer a população sobre os reais riscos de o ebola chegar ao Brasil, quais os procedimentos preventivos que estão sendo tomados e como a doença pode ser enfrentada. Urge uma campanha contundente sobre o tema, já que a doença, em 90% dos casos, é fatal. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Carta a Aécio Neves

Aécio, mineiramente, você declarou, em sua primeira fala, após a eleição de domingo, que, para o bem da democracia, “espera uma campanha limpa, com predominância de programas de governo”. Ledo e duplo equivoco, meu caro conterrâneo. Primeiro, não estamos em uma democracia, pois, se estivéssemos, não teríamos uma Presidente, candidata à reeleição, usando, de modo deslavado, a maquina governamental. Se fossemos uma democracia, a Presidente teria saído do cargo, com antecedência e feito a campanha como você e a Marina a fizeram. Em segundo lugar, “campanha limpa” é expressão que o petismo desconhece. Se trucidaram Marina, que já foi “companheira”, imagine o que vão fazer com você. Esperamos – nós, seus eleitores – que você mostre ao País o que o petismo nos fez: a decadência econômica e moral, que nos diminui, no cenário internacional e massacra principalmente os mais pobres. Compare seu índice de aprovação, quando deixou o governo de Minas com o de sua adversária. Lembre que o PT votou contra o plano real, executado no governo FHC e que viabilizou o Brasil. Relacione os principais assessores de FHC, técnicos de prestigio internacional com os “lideres do PT”, uns na “Papuda”, outros a caminho da. Enfim, Aécio, prepare-se para o jogo sujo, para a tática de guerrilha moral, feita de mentiras, que será usada contra você. Nós, os que chegamos ao fim da jornada, nossos filhos, que estão no meio do caminho e nossos netos, que começam a descobrir a vida, todos precisamos de você, porque você – veja que responsabilidade – tornou-se a possibilidade real de o Brasil reencontrar o caminho perdido, afastando esses assaltantes de beira de estrada. Empresto-lhe a lição de Cristo aos Reis e Governantes da época: “volta teu olhar para o teu povo, que vive na estrada do desprezo e da insignificância.”

terça-feira, 7 de outubro de 2014

E as urnas falaram

São Paulo amanheceu esplendida, nesta segunda feira de primavera. Brisa suave traz lembranças de um inverno, que não houve. O ypê roxo, bem debaixo de minha janela, enfeita a avenida. No rosto das pessoas noto ar de alivio, como quem se livra de noticia ruim. O que teria acontecido, afastando a nuvem cinzenta que, até ontem, amargurava os habitantes da cidade? Primeira ligação do dia, um querido amigo: -“e aí, gostou do resultado das eleições?” E passa a me contar que, apesar dos ibopes da vida, Aécio chegou, com folga, no segundo lugar e Dilma bem abaixo do previsto. Corro à internet e constato que, à exceção de Minas e Bahia, o PT, apesar dos ibopes da vida, levou uma “tunda” e que a migração dos eleitores de Marina para Aécio está a indicar que grande é a possibilidade de nos livrarmos de Dilma e seu bando de delinqüentes. É claro que teremos uma campanha acirrada, com o PT jogando sujo, como é seu hábito. Mas ninguém pode transformar tantas mentiras em verdades. É mentira que o desemprego diminuiu. É mentira que a inflação não se faz presente. É mentira que contamos com a confiança dos investidores estrangeiros. É mentira que melhorou a qualidade do ensino e da saúde públicos. As obras do PAC não saíram do papel. A verdade, que emana das urnas, é que o brasileiro quer mudanças, econômicas, sociais e éticas. E São Paulo deu o exemplo: o candidato petista amargou um terceiro lugar e Dilma teve a metade dos votos de Aécio. Lição para aprender: as mentiras não suportam ser confrontadas com a verdade.